Tristeza

Tristeza
Eu sou o ser maligno. Desobediente e orgulhoso. Eu perdoo vossos pecados, vejo a escuridão que há em cada um de vós, e no entanto os amo mesmo assim. Vcs me batem, me torturam, me esmagam, mas eu me apiedo de vcs. A piedade que não recebo a distribuo indiscriminadamente. A dor que sinto, transformo em alegria e a repasso. Sou generosa no amor. Eu sou a estrela solitária. Com muita dor e amém.

Ave dor maria

Ave dor maria
Coro das rezadeiras: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,
bendita sois vós
entre as mulheres, bendito é o fruto do vosso ventre,
Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós,
pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.



Coro dos acusadores: Mulher é o mal
Que Lúcifer bota fé.
Quando achou
Primeiro ovo do Cão
Ela chocou.

Cru, Belzebu
Do rabo fez um pirão
Foi o pão
Que o diabo amassou
E ela assou.


Mônica Sol-Musa: Ave Maria!
Aqui por nós, Maria,
Vem levantar a voz.
Tem misericórdia da mulher,
Nas aflições
Que o homem cria contra nós.


Coro das mulheres: De giz
Me cobris
De tanta lama e ferida.
Argüis
O nada contra o nariz,
Ó suicida,


Coro dos acusadores: Mulher é o mal... etc

Coro das mulheres: E vês
Toda vez
A tua morte plural
Viuvez
Procuras doce no sal,
E nem me vês.

Coro dos acusadores: Cru, Belzebu... etc



Coro das mulheres: Essa mão,
Tua senha
Pela navalha da luz.
E no credo
A outra mão não te nego,
Desce da cruz!
Desce da cruz!
Desce da cruz!

Dormiu bem?

Dormiu bem?

Você vai viajar de ônibus, não porque não tem uma condição financeira ruim para ir de avião, mas acontece que os aviões estão caindo mais que piroca de passiva, não é verdade? Então quando você entra em seu ônibus, parece que está indo para um micareta de tanto barulho?
Dica do dia: chovendo molhado

Você está cansada disso. Toda viagem é a mesma coisa: crianças fazendo seu assento de gangorra, idosas fofocando sobre todas as vacas - e olha que não é você - pelas quais o ônibus passa, gente roncando, gente fazendo um escândalo para abrir um pacote de salgadinho, criança chorando... e você, querendo sentir o gostinho da vingança, não é danada?

Todo ônibus de viagem tem aquela putaria de parar em algum restaurante pra fazer todos descerem e perderem tempo comprando refrigerante pra vazar dentro do ônibus ou salgadinho de queijo pra fazer tudo lá dentro cheirar a vômito, não é mesmo? E é nessa hora que você, sapeca, vai atacar.

Quando o ônibus parar e a farofada toda descer pra comprar mantimentos pro resto da viagem, você vai correndo naquele frigobar que todo ônibus de viagem tem perto do banheiro e vai pegar o quanto conseguir de garrafinhas de água. Pegou? Tá na mão? Então abre uma por uma e vai molhando os assentos da pobraiada toda, colega, sem dó nem piedade. Se você for mais corajosa ainda, entope o banheiro, esconde as malas e faz daquele ônibus um ônibus fantasma colega. Espirra e passa catarro nas maçanetas e faça tudo que te der na telha!
Mas não se esqueça: terminou de aprontar? Se der tempo, roube um salgadinho, um docinho ou então a Barbie daquela criança infeliz que não parava de ficar te cutucando e se escondendo. Molhou? Robou? Aprontou? Então vai correndo pro restaurando pra conseguir umas testemunhas. Converse com todo o mundo, faz a íntima com todo o mundo e até sensualize com alguém, assim, a última pessoa que irão suspeitar... será você.

Acordou meio malvada?
meumelhoramigogay@gmail.com

Fonte: Meu melhor amigo gay

Óculos 3D levam efeito para tela do computador

Óculos 3D levam efeito para tela do computador

Óculos 3D levam efeito para tela do computador

Fabricados pela Nvidia, os óculos 3D Vision devem chegar em breve ao mercado brasileiro.

O acessório é formado pelos óculos propriamente ditos, um emissor infravermelho e um software que transforma o aplicativo no computador (é indicado especialmente para games, mas também funciona com fotos e filmes) em 3D.

Os óculos não têm fios e podem ser usados a uma distância de até seis metros do computador. A NVidia afirma que 300 games são compatíveis com o 3D Vision. O preço sugerido é de R$ 699.

A desvantagem é que o acessório só funciona com monitores certificados de marcas como Samsung, Viewsonic e Mitsubishi. No Brasil, a única tela compatível é o monitor Samsung 2233RZ, certificado pela Nvidia.

Fonte: Imasters

Gauche somos nós

Gauche somos nós
Cara, quanto mais leio Deleuze, mas me apaixono por este cara. E o melhor, ele é muito parecido comigo. Não me sinto mais sozinha no mundo. Alguém consegue colocar em palavras essa sensibilidade que há dentro de mim (momento mimimi eca). É esquisito de explicar, feliz mente Deleuze existiu... E melhor ainda, escreveu. É tão legal saber que existem autores que nos escrevem. Como Clarice, Fernando Pessoa, Henry Miller, só para citar alguns. Mas fazia tempo que eu não me encantava tanto com um autor como com o Deleuze. Se meu professor R. ouvisse isso ficaria de cabelos em pé "A praga da identificação". Mas não é só uma questão de identificação, é ainda uma outra coisa que mistura todas as coisas.

É o que arde que faz o tempo passar lentamente e te sentir vivo. É o que dói que constrói tua memória.

Como sou feliz e triste. Me sinto abençoada por ser quem sou, por estudar o que estudo, por amar cada pedaço de coisa que aperto, mastigo ou sinto, ou ainda vejo e respiro. Até da tristeza gosto, pois acho-a bonita. Amo viver. E morrer. Mas pretendo ficar viva :P

"Não é nada complicado. Todos os meus amigos passaram pelo PC. O que me impediu? Acho que é porque eu era muito trabalhador. E porque eu não gostava das reuniões. Nunca suportei as reuniões em que falam de forma interminável."

hahaha, estava falando sobre isso ontem. De fato, eu também tenho que trabalhar e colocar as coisas em prática. Em seguida ele fala que era tipo um modismo. Mas é um modismo interminável. Têm muitas pessoas pondo a mão na massa, com projetos sociais, artísticos etc, interessantíssimos, e vc vê essas pessoas dando o sangue por isso. Mas tem muitos, muitíssimos, só fazendo ruído. Sei lá, cada coisa é importante, mas se para perto de mim fazendo pose de estudante pobre e sofrido sendo que tem um Ipod na mochila, e cartão de crédito infinito dos pais, eu bato. Ah, bato. Deleuze podia ser bonzinho, mas eu já não tenho muita paciência. As pessoas adoram se fazer, tá louco, e vejo isso em todos os lugares, grupos sociais, status, etc. Parece uma característica do ser humano, este auto-show. E sabe o que eu acho interessante nesses showzinhos, é que parece que o único público que as pessoas querem satisfazer é a si próprio. Blargh. Mas não era isso que eu queria dizer, é que eu não sou gauche, eu sou torta mesmo. Sofro de uma dislexia mental que me faz odiar qualquer tipo de limite estabelecido e categorizado.

Eu queria que Deleuze estivesse vivo para que eu pudesse lhe escrever uma carta e dizer: "Cara, graças as coisas que vc escreve eu não me sinto mais sozinha. Há no mundo uma uma sensibilidade, uma singularidade, semelhante a minha."

É, eu sou fã. Não tenho vergonha de ser.

O CORVO

O CORVO
Poesia do Edgar Alan Poe traduzido por Fernando Pessoa. Divino.
_________________________
Fernando Pessoa
FERNANDO PESSOA
(1888-1935)

O CORVO

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
É só isso e nada mais.»

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
«É o vento, e nada mais.»

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome «Nunca mais».

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
Disse o corvo, «Nunca mais».

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este «Nunca mais».

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele «Nunca mais».

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
Disse o corvo, «Nunca mais».

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Humanidade

Humanidade
Hoje foi um dia melancólico. Aquela melancolia misturada calma. Vi lindos filmes. Queria estar diante do mar, molhar meus pés na água salgada e gelada, ouvir o quebrar rouco das ondas, com a minha amiga, mas enfim... Escrevi estas linhas pra situar um pouco o meu espírito. Lembrei de algo que li recentemente, sobre quando os operários ganharam direito a férias na França. Foi durante a segunda guerra mundial, se não me engano. Acho que foi Deleuze que escreveu. A burguesia da época ficou indignadíssima, principalmente por ter que dividir a praia com operários. Sabe, uma coisa de divisão de territórios. Isso me deixa triste porque esse tipo de coisa acontece todos os dias, nos dias de hoje. Meus amigos uma vez foram em um bar mais elitizado, cujo o nome não me recordo, mas não deixaram eles entrarem só porque estavam de havaianas. Eles estavam felizes, tinham fechado um negócio, estavam com muita grana, mas não deixaram eles entrarem. Uma vez eu estava na entrada do Iguatemi, esperando a minha amiga, quando vi o segurança chefão expulsando dois meninos, que estavam mal vestidos do shopping. Ele falava "Vcs só entram aqui pra pedir coisa". E eles falavam "Moço, só viemos aqui jogar." E mostrando as fichinhas. Eu dei uma olhada mortal, acho que o segurança notou e ficou envergonhado, e deixou eles entrarem. Como faço o mundo ser mais acordado? Como digo pras pessoas que ser feliz é tão simples, basta viver... São coisas assim, desse tipo que fiquei refletindo durante o meu domingo. E que me deixaram um pouco melancólica. Como posso ser feliz se as pessoas no meu lado estão passando fome, ou estão enlouquecidas. Vejo tanta beleza e potência no mundo, mas as pessoas parece que, na luta pela sobrevivência, acabam perdendo algo precioso...

Mas há as pessoas maravilhosas, que são minoria e independem de religião, credo, posição social e etc., quem conseguem transformar o mundo em um lugar de vida e de pessoas, não um lugar de dinheiro e loucura. Por isso ainda tenho esperanças...

Calendário de Tinta

Calendário de Tinta

Esse calendário foi criado com o seguinte princípio: o papel absorve a tinta e preenche a data ao longo do dia (imagino que o preenchimento de cada data deve demorar aproximadamente 24h). O Calendário é composto por uma folha com o mês inteiro escrito em relevo para servir de caminho para a tinta, um tubinho de tinta acompanha o produto e acredito que a quantidade foi calculada para durar o mês todo.

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Muito boa idéia!

Seria legal fazer um que pega fogo heheheheh, mas se bem que não iria durar nem uma hora, e ainda ia botar fogo na casa hehehehehe

Queria um na minha parede!

Fonte: Já viu isso?

Hunter Thompson e os diabos motorizados

Hunter Thompson e os diabos motorizados

hunter-thompson

15h: Acorda
15h05: Chivas Regal, Jornais, cigarros Dunhill com Piteira
15h45: Cocaína
15h50: Mais Chivas e Dunhills
16h05: Café e Dunhills
16h15: Cocaína
16h16: Suco de laranja e Dunhills
16h30: Cocaína
16h54: Cocaína
17h05: Cocaína
17h11: Café e Dunhills
17h30: Mais gelo no Chivas
17h45: Cocaína
18h00: Maconha
19h05: Almoço na Taverna Woody Creek - cerveja, duas margaritas, dois cheeseburgers, duas porções de fritas, um prato de tomates, uma salada com taco, uma porção dupla de cebola frita, torta de cenoura, sorvete, um bolinho de feijão, mais Dunhills, outra cerveja, cocaína, e um cone de sorvete com uísque.
21h: Começa a cheirar cocaína a sério
22h: Ácido
23h: Vinho, cocaína e maconha
23h30: Cocaína
00h: HST está pronto para escrever
00h às 6h: Vinho, cocaína, maconha, Chivas, café, cerveja, suco de grapefruit, Dunhills, suco de laranja, gim, sessão contínua de filmes pornográficos
6h: Banho de banheira, com champanhe e fettuccine Alfredo
8h: Halcyon
8h20: Pega no sono

Extraído do texto Um Dia na Vida de Hunter Thompson, do blog Vladivostok

Sabe aquelas coisas que você considera perigosas, mas divertidas? Você tá com medo de ir, em frente, mas ao mesmo tempo, sente uma vontade louca também. Tipo saltar de pára-quedas, ou pular daquele trampolim altíssimo na frente dos seus amigos naquela festa à beira da piscina. Aí vem um colega sem noção que você tem, que já pulou diversas vezes e dá aquele empurrãozinho em você... que cai como uma abóbora madura, mas acha tudo o máximo. O jornalismo para mim foi um trampolim, um salto rumo ao semi-desconhecido; sabia mais ou menos o que me esperaria lá embaixo, mas não sabia como seria a queda ou os momentos após a queda. E o maluco que me deu o empurrãozinho, mesmo sem saber, e já estando com a cabeça estourada por uma bala de espingarda atirada por ele mesmo, foi Hunter Thompson.

Eu passei a gostar de escrever algum tempo depois de gostar de ler - o que ocorreu ainda na primeira série. Sempre olhei o hábito como hobby e fui fazer faculdade de Sistemas de Informação, visando trabalhar na minha paixão de juventude além de obter informação: sistemas computacionais. Fiquei por três períodos, desisti e fui fazer jornalismo (mesmo ouvindo todas as questões sobre baixo salário e horas extras)... exatamente após ler Hell Angel's, um dos livros mais conhecidos de Thompson.

Olhando os jornais é difícil sentir qualquer apego àquilo… ou ter um incentivo para exercer a profissão de jornalista. Jornais são chatos em sua grande maioria, seguem estruturas rígidas demais, e contém textos insípidos. Parecem escritos por pessoas que prefeririam estar coletando esperma de macacos em algum zoológico da Tailândia. Mesmo que as notícias sejam sobre uma região ao lado da sua casa, é como se esses escritores estivessem distantes de você, mandando as notícias por email. Hunter fazia o inverso: escrevia sobre pessoas longe de você (ao menos de mim), mas fazia parecer que todos estavam ao seu lado, que eram seus amigos. Foi o que ocorreu com a saga dos Anjos Infernais, que contaram com a presença de Thompson por quase um ano entre a sua gangue…

HunterThompson

Hunter foi um daqueles jornalistas (e escritores) que não se acha fácil por aí. Enquanto no Brasil o "fazer jornalismo" quase sempre se limita a ir atrás de mortes, ou casos de corrupção (não me entendam mal, penso que isso devo ser noticiado, mas não SÓ isso, como é de praxe nos veículos brasileiros), Hunter ia atrás do que ele chamava de "a parte mais podre da América, onde me sinto em casa". E fazia isso usando uma linguagem e um estilo até então inédito, e quase sempre com os aditivos mais potentes - e proibidos - misturados aos seus fluídos corporais.

Muito do estilo de Thompson nasceu nos veículos jornalísticos mais malucos e com menos a perder dos EUA. Foi lá que ele teve a oportunidade de soltar seus primeiros textos sem ser tachado de esquisitóide. Afinal, ele estava entre os seus por lá. Sua primeira experiência com o que viria a ser conhecido como Jornalismo Gonzo - mais ou menos como uma versão 200 Km/h do Novo Jornalismo praticado por Gay Talese, Truman Capote e Norman Mailer - foi justamente Hell's Angels - Medo e Delírio Sobre Duas Rodas.

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Anjos de Tridente

Após se envolver com diversos membros da famosa e temida gangue de motociclistas, Hunter recebe o convite do editor da revista The Nation para traçar um panorama dos deles. Na época eles eram temidos, sua fama os precedia. Tudo graças a uma mídia que alimentava o mito de que eles destruíam todos os lugares por onde passavam, e aproveitavam o tempo livre para violar as moças que estavam a sua volta. Esses relatos deixavam a população à flor da pele, assim como as autoridades policiais, que se embebiam de medo, e agrupavam contingentes enormes, só de ouvir dizer que os Angels se aproximavam.

Usando seu estilo único, recheado de referências a cultura americana, experiências pessoais e auto-inserção na notícia, aliada a amizade que fez com os fora-da-lei mais famosos do seu tempo, Thompson traçou o mais completo retrato, tanto social, quanto antropológico da gangue, além de ir fundo na psique dos caras e analisar sua influência política e econômica nos EUA.

Sua descrição das festas regadas a drogas e orgias, as jornadas em comitivas gigantes de motociclistas e até os confrontos com a polícia é a radiografia mais verdadeira (ou talvez nem tão verdadeira, quanto afirmaram alguns promotores posteriormente) que o jornalismo já produziu sobre a contracultura que socou os EUA em cheio em meados da década de 60, mas explodiu violentamente nos Anos 70 (o livro é de 1965), juntamente com os escritos de Jack Kerouac sobre o surgimento da Geração Beatnik.

As constatações de Thompson, como era de se esperar, em muito diferiram do que se aceitava comumente. Os Anjos não eram sociopatas que só pensavam em estuprar ou puxar alguma briga: eram homens sem formação, que só queriam experimentar um pouco como era ser um fora da lei. Eram malucos que muito diferiam dos “normais” da sociedade americana? Sim, e muito. Mas estavam longe do que era retratado pela mídia americana. Não tinham emprego fixo - no máximo faziam algum bico, geralmente de mecânico de motos, ou alguma atividade braçal- e em suma viviam entrando e saindo da cadeia, geralmente por crimes econômicos.

Em resumo: eles eram um grupo (geralmente) unido, com uma rígida gama de regras de condutas (nem sempre seguidas) e uma visão de mundo própria. Eles eram como um grupo de cachorros selvagens que só atacam quando são atacados.

Além dos Angels, Hunter é uma atração a parte no livro. Ajuda o fato dele SER o livro também. Sua experiência ao lado dos fora-da-lei é o que torna tudo importante, assim como a constatação de que está rodeado de mentiras. Suas descrições dos encontros dos Angels e de tudo que rolava lá, incluindo o assédio das mulheres, são antológicas, assim como os capítulos finais, com a narrativa do cortejo fúnebre de um dos motociclista atropelado. O “silêncio” que Hunter coloca nas palavras muito me fez lembrar as sequências em que os Jedi são massacrados, em A Vingança dos Sith. Triste, mas ao mesmo tempo, poético.

Hunter escreve como um maluco desenhando num papel. Vai rabiscando o que vê, ouve e sente, e depois tenta dar uma ajeitada. O resultado é uma viagem literária das mais loucas. Para se ter uma idéia, seu livro basicamente se divide em três partes: a) a apresentação dos Angels como pessoas, b) os Hell’s Angels como organização, focando o grande encontro deles nas montanhas da Califórnia em 67, c) a cultura das drogas e do hedonismo entre eles. Fora isso, não espere muito mais organização nos textos de Thompson. Cada capítulo é um catatau gigantesco, com falas, entrevistas e nenhum senso de organização por assunto… o que torna toda a experiência única.

Mesmo sem a organização que gente de calibre como Tony Parsons considera fundamental, ele consegue tecer uma base argumentativa coesa... daquelas de deixar de joelhos jornalistas cheios de si, de publicações bundonas como a Time e a Life, que estavam numa cruzada para colocar os Angels no ostracismo - eles só não entendiam que eles já estavam lá. Ao fim da jornada, você não sabe se odeia mais os Angels, ou se passa a admira-los.

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Depois de um ano tentando provar que os Angels eram um grupo muito mais complexo que os neandertais que a “elite” julgava que eram, Hunter recebe um estranho pagamento. Os Angels acharam que estavam sendo passados para trás e que estavam super expostos… e descontaram tudo em Thompson, dando-lhe uma verdadeira sova - usando as clássicas correntes que os tornaram famosos brigões. Ele foi salvo por Sonny Barger, o líder incontestável dos motoqueiros, após quase receber uma pedrada mortal na cabeça.

Ao final ele se sente preso em uma caverna no Congo (ou em um acampamento no Camboja) e exprime a clássica frase: O horror, o horror…

Sim, é tudo loucura, mas daquelas que redimem e ensinam mais que inúmeras edições do Estado de São Paulo!

_______________________________________________________________________

Vou dividir meus posts sobre Hunter Thompson em três: esse, com os Angels, outro com sua biografia e com a sua antologia de reportagens, e mais outro com suas obras de ficção e sua mais famosa obra: Medo e Delírio em Las Vegas.


Fonte: Nerd somos nozes

Poesia - A Arte da Sutileza

Poesia - A Arte da Sutileza
Textinho legal sobre poesia:


Poesia - A Arte da Sutileza

₢ Dalva Agne Lynch


A poesia é (ou deveria ser), por excelência, a arte da sutileza. O poeta implanta no leitor as emoções que ele mesmo sente, ou quer retratar - e quanto mais sutil é este implante, maior é a poesia do texto. Assim, na poesia, utiliza-se de muitos recursos para se transmitir sensações ao leitor, sem que se precise explicitamente citar ou descrever a sensação.

Quem já não sentiu o desespero existencial de "Tabacaria", de Álvaro de Campos, heterônimo existencial de Fernando Pessoa? No entanto, não há, em todo aquele longo poema, uma simples palavra a respeito de existencialismo. Você lê e sente. Você lê e sabe.

Esta é também a diferença entre o poema pornográfico e o poema sensual. Um texto pornográfico descreve minuciosamente um ato, de maneira explícita. Um texto sensual deixa-nos vislumbrar o ato, sentir toda a emoção, sem jamais descrevê-lo.

Um poema de amor pode ser simplório, afirmando simplesmente "eu amo essa pessoa", ou pode se estender por estrofes a fio, descrevendo em cores e formas e sons este mesmo amor:

"E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos"
(Vinicius de Morais, Soneto da Fidelidade)

Um poema sobre a saudade pode dizer "eu sinto falta dela", ou pode tecer em palavras o sentimento:

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
(Pablo Neruda, Canção Desesperada)

Assim, o que diferencia o poeta do homem comum é sua capacidade de dizer o óbvio de maneira sutil. Quer dizer, expressar a poesia de algo em forma de poema. Poesia é um sentimento - poema é a obra de arte que dele advém.

Quando escrevi o poema Busca, um leitor comentou: "Mas o seu poema não tem pontuação! E aquela música, também... Olha, fiquei até ANGUSTIADO lendo." Aleluia - esse era o sentimento que eu queria expressar - angústia! Leia abaixo, e diga-me o que você sentiu:

Busca
(do livro "Nos Jardins Sagrados", Canto III)

© Dalva Agne Lynch

A voz da razão me disse - Não busque!
mas não a posso escutar.
Caminho a esmo
sozinha
entre quadros e relíquias antigas
entre fileiras de livros novos
livros empoeirados
na ruas
no parques
nas salas de chat
no barulho ensurdecedor de uma discoteca
onde estivemos juntos sem estarmos juntos
onde meu desvario me leva
e fico sentada
sozinha
à espera
porque a vida também se distrai
e talvez se esqueça de mim
e finalmente estejas lá
olhos parados e gestos nervosos
e te acalanto
tua cabeça no meu regaço
e tudo vale a pena
o vazio da noite
as flores ausentes
o abraço apenas meu
ouvindo teus contos de amores
perdidos
encontrados
buscados
tecendo carinho
no teu cabelo macio
enquanto esperas que a vida se distraia
se esqueça de ti
e quem buscas esteja lá
olhos parados
cabelos longos esvoaçantes
e aprendas a abrir braços
de acalanto
ainda que não retenham o momento
e comeces a buscar
entre fileiras de livros novos
livros empoeirados
na ruas
no parques
nas salas de chat
no barulho ensurdecedor de uma discoteca
teus olhos parados
gestos nervosos
atrás de pedaços de amor emprestado
aceitando até o vazio
da noite
as flores ausentes
o abraço apenas teu
e entendas
que amor não é posse
mas possibilidade
a carícia sem pedir troco
e amor se torne apenas
amar...




fig - Arthur Rackham
Dalva Agne Lynch
Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2009
Código do texto: T1419956

Fonte: Recanto das Letras

Veneninho

Veneninho
Escrevi isso no twitter:

As mulheres sofrem muitos abusos diariamente e considero esse um assunto sério.

Contudo, existem algumas feministas que insistem em fazer histeria em assuntos pequenos demais.

Isso me entristece. Considero o feminismo uma das facetas que lutam para tornar o mundo um lugar melhor para se viver.

Feministas q fazem tempestade por qq merda, acabam falando coisas descabidas conseguem transformar a palavra feminismo em algo perjorativo.

Detesto categorizar, mas acabei fazendo isso com as feministas. Para mim existem dois tipos:

Feministas - Mulheres que lutam de fato pela igualdade de oportunidades, querem transformar o mundo em um lugar melhor. Pessoas admiráveis.

Histéricas- Q conseguem ver em cada instrumento do cotidiano o macho opressor. Qrem q o mundo seja dominado por elas. Totalitárias.

Mas não do que estou reclamando também. No mundo há poucas pessoas sérias mesmo.

A maioria das pessoas do mundo só querem fazer ruído.

Amo feministas. Odeio histéricas. É simples assim.

Quando o feminismo tornar-se o oposto intrínseco do machismo odiarei o feminismo com todas as minhas forças.

D de Desejo. Linguagem. Web 2.0

D de Desejo. Linguagem. Web 2.0
Proust: Não desejo uma mulher, desejo também uma paisagem envolta nessa mulher, paisagem que posso não conhecer, que pressinto e enquanto não tiver desenrolado a paisagem que a envolve, não ficarei contente, ou seja, meu desejo não terminará, ficará insatisfeito.

Segundo Deleuze, quando se deseja, se deseja em conjunto. Ou seja, vc não não deseja apenas um objeto, mas tudo o que ele envolve. Ou seja, vc não deseja apenas o celular, você deseja falar no celular, enviar sms, o despertador, ouvir música, fotografar. Todo o conjunto de coisas que envolve o celular.. Por isso é interessante pensar no desejo. Pensa-se em todas as coisas que o envolvem.

O que você deseja?

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Pode ser a web 2.0 uma metáfora da linguagem? Se pensarmos que a web 2.0 é a constante produção, multiplicação e interação de conteúdos. A internet sendo feita e alterada, quantificada, fragmentada, recortada, etc. etc.. A linguagem é muito parecida. Ela é infinita, entrecortada, multiplicada, alterada, etc. etc. Seria interessante pensar mais sobre isto.

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Código inquebrável feito de luz está mais perto de ser real

Código inquebrável feito de luz está mais perto de ser real
Códigos que não podem ser quebrados sem revelar quem são os hackers podem estar no horizonte, graças a uma equipe de físicos austríacos que enviaram pares de fótons emaranhados a uma distância de aproximadamente 143 km.

Fótons emaranhados são pares de partículas comuns de luz que estão misteriosamente conectados em nível quântico. Em cada par, um fóton parece “saber” o que ocorreu com o outro independente da distância que os separa. Albert Einstein uma vez se referiu a este efeito como “assustadora ação à distância”.

Criptógrafos acreditam que esta propriedade torna os fótons emaranhados ideais para o envio de mensagens secretas. Embora esse método não evite a interceptação de uma mensagem, ele consegue revelar um “espião” instantaneamente por meio da ação dos pares de fótons emaranhados.

“Você saberá imediatamente que houve alguém na linha”, disse Anton Zeilinger, membro da equipe de pesquisadores da Universidade de Viena.

Encontrando os fótons

Transmitir fótons a longas distâncias é difícil, pois o feixe de luz perde intensidade rapidamente, como a luz de uma lanterna. Isso torna os fótons emaranhados mais difíceis de serem detectados quanto maior o trajeto percorrido.

“Perdemos muitos fótons devido à dispersão na atmosfera e à absorção”, afirmou Zeilinger. “Somente cerca de 1 em 10 milhões chega ao outro lado.”

Produzir detectores que possam “encontrar” os fótons chave em meio à luz de fundo é, portanto, uma parte crucial do experimento.

Anteriormente, a equipe havia conseguido detectar membros isolados de pares emaranhados enviados a uma distância de 144 km. Para sua pesquisa, publicada recentemente no periódico especializado Nature Physics, Zeilinger e seus colegas tornaram seus detectores suficientemente sensíveis para enviar ambos os membros de um par e encontrá-los juntos em uma localização definida.

O próximo passo seria enviar cada um dos fótons emaranhados para um receptor diferente, abrindo a primeira porta para fontes distantes enviarem mensagens codificadas entre si por meio de uma conexão de satélite.

Segurança na internet e ‘ação assustadora’

O premiado escritor de ficção científica e futurista Robert J. Sawyer acredita que o maior beneficiário das mensagens quânticas no curto prazo será o comércio eletrônico, para o qual as transmissões cifradas de informação são vitais na prevenção de roubos. Contudo, a expansão da transmissão de mensagens codificadas pelo planeta está apenas começando.

“Em teoria, partículas emaranhadas permanecerão ligadas entre si a despeito da distância que as separam,” diz Sawyer. Por essa razão, elas poderão ser, um dia, utilizadas para a comunicação interestelar.

Carl Frederick, físico e escritor de ficção científica de Ithaca, no estado norte-americano de Nova York, é cético acerca da possibilidade de partículas emaranhadas serem usadas algum dia para a transmissão de mensagens “reais”. Isso porque as mudanças nos fótons interligados se parecem mais com o resultado de um jogo de cara ou coroa. Os lançamentos podem ser os mesmos em ambos os lados, mas o resultado é basicamente aleatório.

“Se você jogar uma moeda para cima, você não tem nenhum controle sobre o resultado, logo, você não pode utilizar isso como uma mensagem voluntária do tipo ‘me encontre ao meio-dia’”, afirma Frederick.

O escritor de ficção científica Jerry Oltion de Eugene, no Estado do Oregon, discorda.

“Você simplesmente precisa estabelecer um código à frente do tempo”, defendeu ele por e-mail. “Se eu alterar o fluxo de fótons para um décimo de segundo, trata-se de um ponto. Dois décimos de segundo, será um traço. Com esse padrão pré-estabelecido, você pode enviar mensagens em código Morse. Um pouco mais de sofisticação permitiria o envio de mensagens de texto - um grau ainda maior de complexidade possibilitaria que enviássemos voz, ou até mesmo vídeos”, acrescentou Oltion.

“Com a codificação correta, não vejo razão para que mensagens complexas em tempo real não possam ser enviadas por meio dessa ‘assustadora ação à distância’”.

Fonte: Terra Tecnologia & National Geographic

Fonte: Ceticismo.net



Museu de Histórias em Quadrinhos

Museu de Histórias em Quadrinhos

O mais importante museu de histórias em quadrinhos da Europa, com um acervo de 8 mil desenhos originais, foi inaugurado em Angoulême, no sudoeste da França, cidade que se tornou uma referência para os fãs de HQs com a realização de festivais internacionais sobre o tema desde 1974.

O Museu de Histórias em Quadrinhos de Angoulême , instalado em um antigo armazém de vinho, reúne – além de pranchas de desenhos e edições originais – inúmeros documentos, vídeos e variados objetos que tratam de quadrinhos sob diferentes formas. O museu retrata a história dos quadrinhos, desde sua criação, no século XIX, pelo suíço Rodolphe Töpffer , até os autores contemporâneos.

Pranchas com desenhos da obra Tintin no Tibete , de 1959, e de outros personagens famosos, como Asterix e Corto Maltese , além de criações mais antigas de autores como Cham e Winsor McCay , são algumas das raridades que podem ser vistas no local.

Para garantir a boa conservação das obras, o conjunto de pranchas e desenhos originais serão trocados três vezes por ano, o que permite aos visitantes descobrir uma nova parte do acervo a cada quatro meses.

O percurso da visita se divide em quatro seções. Na primeira delas, sobre a história dos quadrinhos, a partir de 1883, é feito um paralelo entre a tradição franco-belga, de personagens como Tintin , Asterix , Bécassine , Zig e Puce e Corto Maltese , publicadas em revistas semanais e álbuns de capa dura, e os quadrinhos americanos, publicados em tiras de jornais e revistas de formato pequeno conhecidas como comic books .

Essa parte histórica da exposição revela ainda como os quadrinhos evoluíram para se tornar obras para adultos entre 1955 e 1980, ao relatarem as mudanças sociais da época, e apresenta também um espaço dedicado aos quadrinhos japoneses, conhecidos como mangá, que totalizam o maior número de títulos e leitores em todo o mundo.

O restante do percurso propõe ainda aos visitantes um ateliê que mostra como as histórias em quadrinhos são criadas, além de uma sala onde estão reunidas 26 pranchas de desenhos consideradas entre as mais importantes do acervo, que serão substituídas regularmente.

No final da visita, uma galeria apresenta os autores contemporâneos e obras criadas em escolas de desenho da França e de outros países.

Em cada uma das quatro seções do museu existem salas de leitura, onde uma seleção das revistas e dos álbuns em quadrinhos apresentados pode ser consultada pelo visitante.

O espaço dispõe ainda de uma biblioteca, com mais de 115 mil revistas e 43 mil álbuns e livros, e também de uma livraria, com 40 mil títulos. O museu possui uma área total de 5 mil metros quadrados. As obras para a renovação do prédio existente custaram 9,6 milhões de euros.

Fonte: Informativo Devir


Acessibilidade: esse negócio tem futuro?

Acessibilidade: esse negócio tem futuro?

Acessibilidade: esse negócio tem futuro?

01. A viagem

Quando eu ainda estudava no curso primário, li um pequeno texto, do qual não me lembro o autor, mas cujo conteúdo nunca esqueci. Tratava-se de uma tentativa de descrição dos seres humanos, feita por um viajante espacial de outro planeta. A descrição propriamente dita não me causou grande impacto; para ser sincera, até achei que o autor foi pouco criativo. O que me impressionou mesmo foram as alusões que ele fazia à pobreza de sons, cores e dimensões do nosso planeta.

Aquela foi a minha única, porém valiosa, viagem espacial. Naqueles poucos minutos, enquanto o meu corpo franzino de pré-adolescente jazia sentado na carteira do grupo escolar de um modesto subúrbio carioca, a minha mente viajou, por bilhões de anos-luz, para outros planetas, outras estrelas, outras galáxias... E se aquilo fosse verdade? Não importava o que a ciência podia comprovar, mas a possibilidade de pensar em realidades totalmente diferentes daquelas imagináveis dentro dos limitados parâmetros construídos a partir das nossas paupérrimas experiências terrestres.

Poucos anos mais tarde, descobri que não precisava sair do nosso planeta, nem mesmo do meu medíocre subúrbio, para estar completamente cercada por fenômenos que transcendiam a capacidade de compreensão do ser humano e viver bombardeada por estímulos que ultrapassavam largamente a capacidade de percepção dos nossos limitados cinco sentidos.

02. O misterioso planeta Terra

Para começar, a planície mais plana em que caminhamos não é plana, pois faz parte da superfície arredondada de uma quase esfera com 12.700 km de diâmetro, que é a Terra; e quando paramos para descansar, não ficamos parados, pois a Terra está sempre se movendo (ainda bem, caso contrário ela deixaria sua órbita de 365 dias e 6 horas e faria um mergulho de 150 milhões de quilômetros até cair no Sol).

Nossa brilhante e delicada Lua não tem brilho próprio nem delicadeza, pois é apenas uma grande esfera opaca, árida e rochosa, cujo diâmetro é cerca de 1/4 do diâmetro da Terra.

A imensa diversidade de sons que ouvimos não é mais do que uma fatia dos sons existentes (que vai dos 16 aos 20.000 Hertz de freqüência), da qual não fazem parte muitos sons conhecidos, como, por exemplo, as ondas de rádio, os sons do radar e da ultra-sonografia. Além disso, para entrar na fatia perceptível, o som não pode ter menos que uns 5 decibéis de intensidade.

O maravilhoso espectro de cores do arco-íris que vemos só abrange as freqüências do vermelho ao violeta, deixando de fora todo o resto, como por exemplo, o infravermelho e o ultravioleta. Sem falar nos raios X e na radioatividade, que atravessam o nosso corpo sem que tenhamos conhecimento do que está acontecendo. Aliás, até para perceber as ondas de energia emitidas pelo nosso próprio cérebro, precisamos de um aparelho de eletroencefalografia.

O nosso corpo está cercado e é freqüentemente invadido por minúsculos seres que não conseguimos perceber: os vírus e bactérias, cujo tamanho se mede em mícron, que é um milésimo de milímetro.

As substâncias mais sólidas e compactas e as superfícies mais lisas e contínuas, como barras de ferro e portas de vidro, não são nem compactas nem contínuas, pois são constituídas por ínfimas porções de matéria, separadas por espaços vazios proporcionalmente gigantescos, como nos explicam os físicos a respeito dos átomos e moléculas. E, apesar de não percebermos nada disso, não duvidamos deles!

03. Nossos pobres sentidos

Pois bem, com uma realidade desta, se o ser humano não consegue perceber o que está acontecendo aqui, debaixo do seu nariz, o que é que eu ia fazer nas estrelas? Fosse ou não a coisa por lá diferente e deslumbrante, nossos grosseiros sentidos humanos iriam captar o quê?!

Nossos olhos não conseguem perceber os lentos movimentos das nossas próprias unhas crescendo, nem mesmo os movimentos muito mais rápidos do desabrochar de uma rosa; e nem sequer se dão conta de que os movimentos dos nossos ídolos no cinema não são movimentos, são uma farsa montada com uma série de imagens estáticas. Nossas mãos não são capazes de detectar que estão cobertas de bactérias, nem percebem o quão ocas são as vigas de aço, concreto e ferro que sustentam os prédios em que moramos e trabalhamos.

Mas o que tem tudo isso a ver com o tema deste artigo?

04. Afinal, o que é Acessibilidade?

Infelizmente, nada disso tem relação alguma com acessibilidade, ao menos por enquanto. Nós, que julgamos entender alguma coisa de acessibilidade (felizmente esse grupo está crescendo), falamos nos direitos de igualdade, cidadania e independência de velhinhos, grávidas, deficientes e pessoas que usam dispositivos esdrúxulos, ou se encontram em ambientes diferentes; falamos em leis, diretrizes e padrões nacionais e internacionais. Os mais aplicados dentre nós estudam usabilidade, Universal Design, padrões Web, WCAG, DAISY, normas ANSI, NISO, ISO, ABNT... Quando focamos nos resultados, falamos na ampliação do universo de clientes e usuários, que pode ser alcançada com a conquista desta grande fatia de mercado, formada por toda essa gente diferente.

Como vemos, em todos estes enfoques, a acessibilidade aparece como algo que tem a ver com pessoas que têm alguma deficiência ou necessidade especial. Mas será que acessibilidade é mesmo "só" isso?

05. Mudando paradigmas

Não que isso seja pouco, não me interpretem mal, por favor... O que temos a fazer não é pouco, nem em quantidade de trabalho, nem em relação à qualidade de vida alcançada pelos seus resultados, nem quanto ao montante de negócios que pode ser gerado. É muito, muitíssimo! O que me parece inadequado e totalmente insuficiente não é o nosso trabalho, é a nossa perspectiva.

Vou tentar me explicar através de um exemplo. Não sei quem inventou o termo "ajudas técnicas". Se soubesse, prestaria aqui minha homenagem; esse conceito representa uma grande ajuda em discussões técnicas, pois funciona como um poderoso coletivo de toda a parafernália criada pela tecnologia, para ajudar pessoas com deficiências. Até aqui, tudo bem. Porém, um dia desses fui ao Jardim Botânico fazer uma visita guiada por um ornitólogo, para apreciar e entender alguma coisa sobre passarinhos. Como era de se esperar, algumas pessoas levaram lunetas; o próprio Jardim Botânico tem lunetas para emprestar. E foi aí que eu fiquei pensando... Por que não chamamos estas lunetas de "ajudas técnicas"? Só porque não são usadas por pessoas deficientes?

Portanto, para definir algum artefato como ajuda técnica, precisamos, antes, saber quem o está utilizando. Se for uma pessoa com deficiência, então é uma ajuda técnica; caso contrário, não é. Em termos de políticas públicas, esta separação pode ser bastante útil, pois precisar de uma luneta para ver passarinhos é muito diferente de precisar de uma luneta para conseguir ler o que o professor está escrevendo no quadro a três metros de distância.

Mas será que isto basta para compreender o problema?

06. Incapacidade X Deficiência

Definições como a de "Ajudas Técnicas" pressupõem uma clara separação das pessoas entre deficientes e não deficientes. Mas, na prática, como é que se faz esta separação?

Por exemplo, mesmo que uma pessoa seja totalmente cega de um dos olhos, se tiver visão "normal" no outro olho, não será considerada uma pessoa com baixa visão e não terá direito às ajudas e benefícios concedidos às pessoas com deficiências, pois, da maneira como nossa sociedade está organizada, esta pessoa continua podendo usar a visão para realizar atividades essenciais, tais como ler e se locomover. Imagino que, se a nossa principal atividade fosse a caça, talvez essa pessoa tivesse que ser considerada deficiente. Por outro lado, se as nossas placas e livros fossem escritos com letras maiores, menos pessoas seriam classificadas como deficientes visuais.

Quero dizer com isto que a deficiência e o seu grau de severidade dependem das atividades e dos recursos disponíveis em cada cultura. Os testes para avaliar uma deficiência visual, por exemplo, consideram o melhor olho, após a aplicação da melhor correção óptica possível.

É por isso que a CIF sabiamente diferencia os conceitos de "desvantagem" (handcap), "incapacidade" (disability) e "deficiência" (impairement), já que uma deficiência pode ou não causar uma incapacidade (dependendo do indivíduo e dos recursos disponíveis) e uma incapacidade pode ou não causar uma desvantagem (dependendo do contexto social). Por exemplo, uma pessoa que não tem uma das mãos (deficiência), dependendo de características individuais e dos recursos disponíveis, pode ter dificuldade ou não conseguir realizar tarefas da vida diária (incapacidade) e, dependendo do contexto social, pode ter dificuldade para encontrar um emprego (desvantagem). Quando desconsideramos esta perspectiva, saímos por aí rotulando as pessoas, como se o problema estivesse nelas e não na sua interação com o meio em que vivem.

Estamos criando um mundo extremamente hostil a uma grande quantidade de pessoas, porque elas não se encaixam em determinados padrões. E então saímos rotulando gente e tentando criar mecanismos compensatórios, para tentar consertar o que já começou errado; sem falar naqueles indivíduos desajustados que ficam sem "rótulo", por falta de sensibilidade humana e competência diagnóstica.

Como disse certa vez uma grande amiga (que não é deficiente), acerca da minha deficiência visual:

"Você, pelo menos, tem uma deficiência que está aparente e, portanto, pode lutar para que ela seja respeitada e levada em consideração; porém, o que fazer, quando a gente tem alguma incapacidade que gera uma dificuldade para lidar com as coisas deste mundo, se esta dificuldade não tem um diagnóstico e não está aparente?"

Quando será que vamos parar de segregar as pessoas desta maneira, num total desrespeito às suas peculiaridades, necessidades e potencialidades individuais?

07. Acessibilidade para todos

Todos temos limitações visuais (ou não precisaríamos de lunetas, microscópios e telescópios), limitações auditivas (ou não teríamos amplificadores e estetoscópios), limitações da fala (ou dispensaríamos tradutores e intérpretes), limitações da locomoção (ou não existiriam carros, navios e aviões), limitações da motricidade (ou não inventaríamos ferramentas com cabos compridos, extensores, ganchos, prendedores, acionadores, dispositivos de segurança), limitações de comportamento (ou não haveria atenuantes legais para crimes realizados em situações de stress ou de forte impacto emocional).

No dia em que cada ser humano tiver a exata noção da magnitude de suas próprias limitações, a nossa especialidade deixará de existir. Neste dia, quando alguém falar em acessibilidade, ninguém mais vai pensar num monte de gente esquisita, vivendo de maneira excêntrica. Acessibilidade fará parte do currículo de todas as profissões, será coisa do dia-a-dia de todas as pessoas e especialistas em acessibilidade e usabilidade seremos todos!

08. Epílogo

Este artigo é dedicado a todos vocês, que tiveram a paciência de chegar até aqui; e muito especialmente à amiga Rosa Nobre, que não é deficiente nem tem diretamente nada a ver com acessibilidade, mas que há pouco tempo me falou o seguinte:

"Existe tanta coisa neste mundo que a gente não consegue perceber... Quem tem todos os sentidos já tem tão pouco, imagina quando falta algum?!"

Fonte: Imasters

Peruca para Cães

Peruca para Cães
Perucas para cães

Perucas para cães. É esta a nova aposta da Total Diva Pets, uma empresa sediada na Califórnia, EUA. As proprietárias, Jenny e Crissy Slaughter, desenharam as perucas para desfiles, mas o sucesso foi tanto que decidiram começar a vendê-las em maior escala.

«Sabemos que os animais não precisam de perucas, mas são acessórios divertidos para cães que já têm tudo», disse Jenny Slaughter à BBC Brasil.

Paris Hilton e Bettie Page foram as musas de inspiração para os primeiros modelos. Actualmente, já há perucas «afro» e coloridas e outras já estão a ser usadas em gatos. Cada uma custa mais de 20 euros.

Grandes marcas já entraram também no mercado dos acessórios luxuosos para animais de estimação. Perucas, sapatos, óculos de sol, coleiras personalizadas e roupas são as opções mais procuradas.


Fonte: Portugal Diário

Não É Desgraça Ser Pobre

Não É Desgraça Ser Pobre

Não É Desgraça Ser Pobre

Amália Rodrigues

Composição: Norberto Araújo

Não é desgraça ser pobre,
não é desgraça ser louca:
desgraça é trazer o fado
no coração e na boca.

Nesta vida desvairada,
ser feliz é coisa pouca.
Se as loucas não sentem nada,
não é desgraça ser louca.

Ao nascer trouxe uma estrela;
nela o destino traçado.
Não foi desgraça trazé-la:
desgraça é trazer o fado.

Desgraça é andar a gente
de tanto cantar, já rouca,
e o fado, teimosamente,
no coração e na boca.