O Português é meu país

O Português é meu país
Estava começando a ler sobre literatura africanas, portuguesa, brasileira etc. e lembrei duma coisa que estudei enquanto estudava Fernando Pessoa. É sobre um projeto de unificar os países de língua portuguesa. Mas calma lá, não significa unificar e transformar todos num país só. É algo tipo, uma aproximação mais cultural, com todos os falantes do português. E também ele não ficava pregando a unificação, isso é uma das coisas que pode-se subentender lendo a poesia dele. Além de todos os desdobramentos, acho uma proposta interessante, pois possuí uma coisa de desterretorilização, tipo, o que é pátria, o que é a comunidade em que vivo e que estou inserida. O que é ser brasileira, viralatamente brasileira... É no sangue, é o pedaço de terra em que nasci? Eu proponho uma reflexão a todos, para isso tentem responder estas perguntinhas:

1 - O que sou eu no espaço em que ocupo?
2 - Qual é meu papel neste espaço?
3 - O que é o lugar em que estou inserido para o mundo?

É legal pensar nisso pra tentar desmistificar algumas coisas que a gente nasce pensando. Ah, eu tenho minha vida, meus sonhos e meus desejos, mas talvez, para o mundo em que vivemos, isso não signifique nada e eu seja apenas uma mola facilmente substituível... E se eu for substituída, o que acontece com tudo em que eu era?

Bem, é isso por enquanto.
Bjus me liga ;)

10 motivos para ler (ou ver) Hamlet

10 motivos para ler (ou ver) Hamlet

Desnecessário dizer que, para se ler uma obra literária, basta estar-se gostando do andamento das páginas.

Porém, para algumas – de tão boas e no caso de ainda não se estar com o livro nas mãos – cabe o incentivo de quem já o leu e por ele tem alguma preferência aos que ainda não tiveram tal privilégio.

É o caso de Hamlet, de William Shakespeare.

Seria suficiente dizer que Hamlet pode ser uma das melhores experiências literárias de sua vida: há nela aventura, sexo, duelos de espada, intriga, sabedoria, humanidade, arte, filosofia, beleza, loucura, poesia e, claro, um final sangrento.

No entanto, vamos a eles de uma vez. Os motivos:

  1. Hamlet provavelmente é o personagem mais legal de toda a literatura. Ele é sábio e, contraditoriamente, vítima de suas próprias paixões. Jovem, atormentado e triste – com o que um adolescente se identificaria -, mas também ponderado, sagaz e consciente de suas responsabilidades – como uma pessoa mais madura preferiria.
  2. Hamlet expressa o humano. Sendo tão contraditório e sólido ao mesmo tempo, ele não é nada mais nada menos do que um dos personagens que melhor expõe as forças que trabalham em sentidos opostos em cada um de nós, no que elas têm de maior e no que eles têm de mais miúdo. Ele não é um herói bom, nem um herói mau. É apenas um herói, como você ou eu.
  3. Trata-se de literatura de detetive. Embora conduzido pela névoa das emoções e por métodos que tornam Bentinho, de Dom Casmurro, uma pessoa completamente lúcida, Hamlet tenta descobrir o assassino de seu pai.
  4. Não há uma página sequer em que não haja uma passagem de arrepiar ou algum dito espirituoso, como este em um diálogo entre Hamlet e seu tio, na cena 3 do quarto ato: “Hamlet: Pode-se pescar com um verme que tenha comido de um rei e comer o peixe que se alimentou desse verme. O rei: Que queres dizer com isso?Hamlet: Nada. Apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.”
  5. Um clássico é, no mínimo, um bom conselheiro. O exemplo que primeiro me ocorre são as dicas dadas por Polônio a seu filho, Laerte, quando este parte em viagem.
  6. É uma obra sobre amizade. O que dizer da fidelidade mútua que há entre Horácio e Hamlet?
  7. Há tensão sexual e emocional. O que afirmar sobre as mulheres da peça com as quais Hamlet se relaciona: a mãe e Ofélia? Freud que nos explique.
  8. A peça mostra como o artista lida com os acontecimentos de sua vida. É possível que a peça tenha sido escrita sob a influência da perda de um filho de Shakespeare, chamado Hamnet.
  9. O monólogo. O famoso “ser ou não ser”. Ele pode ser encarado como a escolha entre a vida, e a certeza dos sofrimentos, e o suicídio, e a incerteza do que virá depois desse ato, de um modo mais simplista. Mas também pode ser entendido como a escolha entre as formas de existência mais cruas e responsáveis e as mais escapistas. A escolha entre a pílula vermelha e a azul, em Matrix.
  10. Hamlet não perde sua atualidade: por tratar de temas que nunca sairão da pauta dos tormentos humanos.

Vou ficar devendo por ora minha teoria que prova que todo o enredo não passou de uma armação do fiel amigo de Hamlet, Horácio, a fim de entregar a Dinamarca de mão beijada ao conquistador Fortimbrás.

Prefiro contar a história – verdadeira – de um estudante que tentava uma vaga na Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

O texto escolhido para a prova prática: o monólogo.

- Ser ou não ser…

Silêncio. A banca tensa. Mais silêncio. Uma gotinha de suor escorreu pela têmpora do candidato.

- Xi… esqueci.

No caso, ele perdeu a questão.

E o resto é silêncio.

Fonte: Livros e afins

fausto fawcett



Indicação musical: fausto fawcett, robos e seus efêmeros



Então, esse é o meu album preferido deste cara que é muitas coisas e também músico. Eu gosto muito das letras, de todas as músicas. É desse album a famosissíma "Kátia Flávia, a godiva do Irajá"

No momento estou ouvido o rapd`anne stark. Veja a letra:

(Gente, tentei achar a letra mas não tem na internet)

Agora veja essa postagem bem legal sobre este artista e este album, no blog Ecos Fantasmas.

Bju me liga ;)

Sasquatch

Sasquatch
Sasquatch

Sasquatch foi publicada originalmente como uma mini-série com quatro números. A história foi escrita por Steve Niles (roteirista de 30 Dias de Noite ) e o diretor de cinema Rob Zombie e desenhada pelo legendário Richard Corben .

No verão de 1973, um garoto vê sua família ser chacinada por um pé-grande enlouquecido. A história avança para 2004, quando uma seqüência de assassinatos horrendos que lembram o ataque de 1973 chama a atenção do garoto, já adulto, e o leva a procurar vingança contra a criatura.

A Paramount detém os direitos da história para o cinema e o roteiro do filme deverá ser escrito por Steve Niles.

O livro tem 104 páginas em cores e deverá chegar às lojas na semana de 17 de agosto.

Richard Corben nasceu no Missouri e passou a infância na cidade de Sunflowers, no Kansas. Ele vivia em uma comunidade chamada Sun Flower Ordinance Works que fabricava bombas para o exército americano durante a Segunda Guerra Mundial. Sua primeira tentativa no mundo dos quadrinhos foi uma série sobre as aventuras de Trail , um cachorrinho de estimação. Corben sempre demonstrou um grande interesse por animação, e vivia convertendo blocos de anotação em flip books .

Enquanto cursava a faculdade de arte, concentrou-se no desenho básico e na pintura. Apesar da escola onde ele estudava não oferecer nenhum curso de animação, seu trabalho de conclusão de curso foi um filme animado com cinco minutos de duração, contando os trabalhos de Hércules que ele produziu usando uma câmera 8mm que ele pediu emprestada a seu pai.

Na época em que terminou a faculdade, Corben tinha vontade de morar em Nova York e fazer carreira desenhando histórias em quadrinhos ou trabalhando com animação. Mas ele sempre foi uma pessoa tímida e isso fez com que ele acabasse desistindo de uma mudança tão drástica em sua vida. Depois de um tempo, entre outras coisas, trabalhando na construção civil para seu pai, ele conseguiu um emprego como artista, animador e câmera em uma companhia cinematográfica de Kansas City.

Depois de dez anos trabalhando na companhia cinematográfica, Corben começou a se sentir frustrado por não ter dado nenhuma chance a sua carreira artística. Ele começou a desenhar quadrinhos e publicar fanzines underground. Mais ou menos nessa época, a Warren Publishing Company começou a publicar revistas com histórias em quadrinhos de horror em preto e branco, como Creepy , Eerie e Vampirella . Estas revistas tinham tudo a ver com o tipo de trabalho que Corben vinha realizando, por isso ele desenhou diversas histórias para a revista Creepy . Infelizmente nenhum desses trabalhos foi aceito. Mas, a vontade de desenhar histórias em quadrinhos perseverou e pouco tempo depois ele viria conhecer o próprio James Warren em uma convenção de ficção científica. Por fim Warren e seu editor, Bill Dubay , começaram a enviar roteiros para Corben desenhar e sua carreira de história em quadrinhos se estabilizou. A onda underground começou a se espalhar pela Europa, e a partir daí, começaram a aparecerar pedidos de reimpressão dos quadrinhos underground de Corben. Seu personagem Den que apareceu na revista americana Grim Wit , foi publicado na revista underground francesa, Metal Hurlant , depois voltou para a americana Heavy Metal . Quando a popularidade do underground começou a cair, Corben fundou a Fantagor , uma editora que se dedicava principalmente a publicar os quadrinhos de Richard. O negócio não foi suficiente para mantê-lo, então ele começou a desenhar para as editoras americanas DC Comics , Marvel e Dark Horse , entre outras.

Robert Bartleh Cummings nasceu no dia 12 de janeiro de 1965. Mais conhecido como Rob Zombie , ele é musico, escritor, diretor e produtor de cinema. Sua voz rouca e a fascinação pelos filmes de horror ajudaram-no a ganhar destaque no cenário heavy-metal americano.

Rob começou trabalhando como técnico no programa Pee Wee's Playhouse . Foi nessa época que ele conheceu Sean Yseult , com quem fundaria a banda White Zombie . O nome do grupo é uma homenagem ao filme de mesmo nome estrelado por Bela Lugosi.

Depois de assinar com a Geffen Records , a banda fez um grande sucesso e chegou a ganhar dois discos de platina. Muitas de suas músicas foram usadas em trilhas sonoras de filmes e programas de TV, em especial o Beavis and Butthead .

A banda se separou oficialmente em 1998, pouco depois do lançamento do primeiro trabalho solo de Rob, Hellbilly Deluxe.

No dia 31 de outubro de 2002, casou-se com Sheri Moon , depois de treze anos de namoro. Dez dias antes da data planejada para a cerimônia de casamento, os dois decidiram se casar secretamente no dia de Halloween.

Depois da turnê mundial de 2002-2003, Mike Riggs e John Tempesta separaram-se de Rob para fundar uma banda de mesmo estilo chamada Scum of the Earth . Isto atrapalhou os planos de uma nova turnê e um novo disco. No entanto, entre 2003 e 2005, Rob Zombie lançou dois filmes de horror dirigidos por ele, House of 1000 Corpses e The Devil's Rejects .

Em 2005, Rob voltou ao mundo da música. Depois de se juntar a Marilyn Manson , Tommy Clufetos , John 5 e Blasko , Rob gravou Educated Horses , o disco mais experimental de sua carreira.

No dia 13 de outubro de 2006, Rob Zombie começou a apresentar o programa TCM Underground do canal Turner Classic Movies .

Em 2007, Rob colaborou no filme Grindhouse de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, dirigindo um dos falsos trailers chamado Werewolf Women of the S.S. , estrelado por sua esposa, Sheri Moon, Udo Kier e Sybil Danning . Depois disso, Rob dirigiu uma refilmagem de Halloween, de 1978.

Zombie dirigiu também todos os vídeos da banda White Zombie, com exceção de Black Sunshine , Thunderkiss `65 e Welcome to Planet Motherfucker , e todos os vídeos de sua carreira solo. Ele trabalhou inclusive na direção de videoclipes para outros artistas como Ozzy Osbourne , nas músicas Dreamer , Black Label Society's .

Steve Niles nasceu no dia 21 de Junho de 1965 em Nova Jersey, EUA. Ele começou sua carreira nos quadrinhos com a sua própria editora chamada Arcane Comix , onde ele publicou, editou e adaptou diversas antologias para a Eclipse Comics . Suas adaptações incluem obras de Clive Barker , Richard Matheson e Harlan Ellison . Ele também trabalhou para a Disney e a Todd McFarlane Productions onde Niles escreveu para a Kiss Magazine, antes de começar a trabalhar na série Hellspawn , junto com Ashley Wood .

Hoje, Niles é um dos escritores responsáveis pelo revival dos quadrinhos de horror e está trabalhando simultaneamente para várias editoras americanas.

Depois de vender os direitos de 30 Dias de Noite para o cinema, Niles juntou-se a Rob Zombie para criar a Creep International. Este projeto já produziu dois trabalhos: The Nail , com Nat Jones e Sasquatch , com Richard Corben .

Pela Image , ele é o co-criador das séries Bad Planet, com o escritor e ator Thomas Jane , e The Cryptics, com o ilustrador Ben Roman . Cal McDonald , seu personagem caçador de monstros é publicado mensalmente na série Criminal Macabre, pela Dark Horse , onde também tem lançado outras mini-séries.

Existem diversas edições especiais e mini-séries de 30 Dias de Noite e o livro Aberrações no Coração da América lançado aqui no Brasil pela Devir, além de alguns trabalhos para a Marvel e para a DC Comics .

Atualmente, Steve mora sozinho com seu gato numa casa em Los Angeles. Lá existe um closet esquisito que fica sempre trancado. Ninguém imagina o que há escondido lá dentro... mas nós temos uma idéia.
Fonte: Informativo Devir

Discurso

Discurso
Ae galera, o post sobre discurso. Bem, acho que o correto seria dar um geralzão sobre o que é discurso, qual a diferença entre texto e discurso, etc, mas não to a fim. Então vou falar sobre discurso, mas especificamente um trecho que li. Vou disponibilizá-lo no fim do post, lê quem quer e também vou botar o link para o trecho introdutório a análise do discurso, do qual me inspirei para escrever.

Discurso. Bem, o discurso é maneira direcionada, organizada que as pessoas se utilizam da linguagem. Linguagem é caos e infinito. Tudo é possível dentro da linguagem e ela é incontrolável. Anárquica por essência. O discurso é essa linguagem manipulada, que pode ter um fim determinado, pode ser utilizada para aquisição e disputa de poder. Um bom exemplo disso seria um julgamento (estilo filme americano) em que há o defensor e o acusador. O que se sobressaí é o discurso vencedor. O melhor articulado. A gente sempre acaba cedendo diante da boa argumentação. É mais ou menos isso que é o discurso para Foucault, na verdade envolve bem mais coisas, mas não to com vontade de discutir isso agora.

O que costumeiramente se entende por comunicação. Você tem uma mensagem, uma informação, que tem que ser passada para alguém. Algo tipo “beijo, me liga”. O que vc quer que a pessoa entenda (o receptor), é que vc está mandando um beijo para ela e quer que ela te ligue. Se ela entende isso então a comunicação foi perfeita. Mas essa comunicação perfeita não existe. Isso mesmo, pasmem, ela não existe. Vcs devem estar pensando, então a Kelly quer dizer que nós nunca somos entendidos pelo outro. Isso mesmo! Assim como também não entendemos o outro. Porque no meio dessa comunicação há inúmeros fatores, como contexto, sociedade, cultura, conhecimento, sentimentos, momento histórico, atenção, etc, muitas coisas que atravessam a pessoa e fazem com que ela ouça os ruídos, leia as letrinhas, decodifique o código e abstraia a informação. Quando a informação chega na mente do “outro”, ele vai na memória, no sentimento, no conhecimento, entre milhares de outras coisas que o constituí e recria essa mensagem dentro dele. É assim, toscamente explicado, que funciona a linguagem.

Você deve estar se perguntando como nós conseguimos nos comunicar? Esse é um dos paradoxos da linguagem. Vc na verdade nunca se comunica perfeitamente, mas mesmo assim, funciona. A linguagem, a fala, é uma coisa tremendamente pessoal e ao mesmo tempo coletiva. Afinal, nós aprendemos uma língua, ela existia antes de nascermos, e a modificamos. A ajustamos. Mas isso é assunto para outro post. Confesso que este paradoxo é uma das coisas mais bonitas nos estudos de linguagem que conheço. Bem e dá para estudá-lo, por incrível que pareça, ele funciona e nós conseguimos conversar. Mas não é simplesmente conversar, é criar sentidos e modificá-los. E ser modificado por eles. Se eu for tua chefa e dizer vai ali, tu vai. Vc é acionado por isso. Se eu faço uma propaganda que te convence, vc compra o produto. Ou não, vc pode discordar, criar uma argumentação e talvez me modificar. Essas coisas todas são as que constroem o nosso conhecimento e a nossa experiência de vida.

Se eu estiver me despedindo de alguém que é muito apaixonado por mim, e eu disser “beijo me liga” como um cumprimento qualquer, essa pessoa pode interpretar de fato que eu quero que ela me ligue. E se vencer sua timidez, etc, ela vai me ligar. E dependendo da sua argumentação, do seu discurso, da maneira como vai manipular a linguagem pra me convencer, é capaz de conseguir ou tomar um fora. É outro exemplo bem tosco, mas funciona mais ou menos assim. E sempre é assim.

Logicamente há convenções sociais de linguagem, etc, mas isso é também assunto para outro tópico. Queria só falar um pouquinho de discurso.

Aqui ta o link que eu falei no começo desse post, com um texto introdutório à análise do discurso:

http://www.eca.usp.br/jorlingrad/discurso%20orlandi.pdf

O trecho sobre o qual discorri é o chamado “discurso”.
Então, era isso. Tosco pra caralho, (tomará que meus professores nunca leiam), mas era isso. Beijos e me liga ;)

Língua viva

Língua viva
Gente, vou inaugurar uma nova categoria no meu blog, “Língua Viva”. Aqui eu vou dar dicas de português, mas não serão aquelas receitas de bolo que estamos acostumados a nos deparar. Eu vou explicar fenômenos, a analisar um texto, dar reflexões sobre a linguagem, os estudos mais modernos sobre língua e linguagem. Ensinar a refletir sobre o que se fala, o que se lê, o que se escreve. Entre outras coisas mais. Terão muitas coisas mais, explicar o que é um gerúndio, o que é comunicação, e mesmo reflexões um pouco mais aprofundadas sobre a língua em sim. Lembrem-se, é UM POUCO. O objetivo deste blog é falar pouco sobre coisa alguma. Para os interessados em análises mais aprofundadas e idéias geniais, é só me mandar e-mails que posso indicar textos, livros, sites, entre outras coisas referentes a linguagem, filosofia, arte, comunicação, lógica, música, entre outras coisas que vcs possam desejar e que estejam ao meu alcance. Meu e-mail é kzeferino@gmail.com. Bem, o primeiro e próximo post vai falar um pouquinho sobre discurso. É um pouco mais aprofundado, mas acredito que seja interessante. É mais da área da linguagem e menos da gramática.

O caminho livre das tecnologias educacionais

O caminho livre das tecnologias educacionais

O caminho livre das tecnologias educacionais

A capacidade de aprender é provavelmente o maior diferencial dos profissionais e das organizações destes tempos turbulentos. Enfrentando desafios cada vez mais complexos, precisamos recorrer a novos recursos que nos permitam evoluir de maneira mais eficiente e ágil. A inteligência coletiva, que corresponde aos mecanismos que sintetizam e aprimoram contribuições individuais em relação a um objetivo maior, aparece como um fenômeno promissor neste contexto. Como entendê-la e explorá-la? Afinal, qual o impacto competitivo das novas tecnologias e metodologias de desenvolvimento na capacidade de aprendizagem das nossas organizações?

Desde os primórdios da humanidade, a capacidade do ser humano de registrar os seus pensamentos em algum suporte, seja ele a parede de uma caverna, um papiro ou um chip de silício, foi condição sine qua non ao seu desenvolvimento. Jack Goody, antropólogo inglês, mostrou no livro "A razão gráfica", de 1979, como o ato de escrever impactava nos processos cognitivos. Basicamente, a projeção de um pensamento em algum suporte representa um avanço significativo de sua compreensão por duas razões. Primeiro, porque traz a oportunidade de relê-lo, repensá-lo e aperfeiçoá-lo. Segundo, porque o suporte é também uma maneira de desafiar limites de tempo e espaço para submeter o produto do seu pensamento a outros seres susceptíveis de comentá-lo, criticá-lo e aprimorá-lo.

Neste sentido, Goody explica como o suporte que se escolhe para projetar o seu pensamento não é neutro. O fato de escrever suas ideias numa folha em branco ou de organizá-las em uma tabela influencia o próprio autor e, consequentemente, os seus leitores no entendimento do conceito. Assim, desde a industrialização dos processos de reprodução (Gutemberg, séc. XV), tal fenômeno vem se multiplicando e dando a oportunidade a um volume muito maior de pessoas alfabetizadas de terem acesso a essa informação para desenvolver os seus conhecimentos nas mais diversas áreas.

Se a natureza do suporte é um elemento de primeira importância na aprendizagem, a internet é uma resposta natural da humanidade a essa necessidade de se expressar, comunicar, alterar, discutir e aprimorar o seu conhecimento. Se a Web 1.0 foi uma transferência das mídias tradicionais para a internet, a Web 2.0 soube explorar de maneira mais avançada a inteligência coletiva, oferecendo uma facilidade muito maior para que qualquer usuário pudesse dar a sua contribuição. A Wikipédia surgiu como um símbolo dessa nova era. Ela demonstrou que, fornecendo um padrão de publicação e validação (uma gramática) a uma comunidade em constante crescimento, era possível criar a maior e melhor base de informações do mundo atual. A tecnologia permitiu renovar a tradição enciclopédica colaborativa iniciada por Diderot e d'Alembert, na França, no século XVIII. Mais do que uma revolução, trata-se de uma evolução natural; os seres humanos sempre tiveram tendência a optar por soluções que os libertassem de restrições desnecessárias.

Desse modo, a informação gerada pelos usuários revolucionou a internet e a mídia em geral com dois pré-requisitos. Primeiro, oferecer a todos o poder de criar, editar, indexar e publicar qualquer conteúdo. Depois, permitir a um grupo mais restrito de especialistas moderar e estabilizar as contribuições. Novos modelos de negócios surgiram desse fenômeno e o mais brilhante exemplo foi o Google, que se tornou líder tecnológico dessa era, explorando justamente a inteligência proveniente das relações que existem entre os conteúdos para oferecer simplesmente o que todo mundo precisava: a sua organização!

O mesmo Google acabou de anunciar que irá lançar, em 2010, um sistema operacional de código aberto. A ofensiva não tem em si nada de assustador para o líder do mercado que ocupa uma posição quase monopolística, a não ser pela capacidade do Google de catalisar as contribuições dos usuários para oferecer um serviço melhor. O que fará diferença para a empresa de Moutain View é conseguir mobilizar a inteligência coletiva ao redor do seu projeto. Foi assim que o Facebook, que chegou mais tarde no mercado das redes sociais, superou todas as outras abrindo parte do seu código para que os desenvolvedores pudessem contribuir com suas aplicações.

A nova era da computação pertence a quem souber aproveitar o potencial da inteligência coletiva de maneira eficiente e ágil, garantindo qualidade. Para isso é necessário definir uma linguagem e os padrões para que a comunidade possa contribuir de maneira eficiente. Não é só o conteúdo gerado pelos usuários que faz o diferencial, mas também a velocidade e a qualidade das evoluções dos serviços. As soluções de software livre sofreram com a falta de agentes estruturantes que pudessem sustentar uma estratégia em longo prazo. Isso está mudando.

Neste contexto, a competitividade das nossas organizações depende também da nossa capacidade de integrar rapidamente soluções tecnológicas que permitam às equipes aprender de maneira mais rápida e eficiente. Se o conhecimento e as maneiras de aprender estão em constante evolução, as plataformas de aprendizagem mais competitivas serão naturalmente aquelas com maior capacidade de adaptação. Se já observamos um crescimento exponencial do uso dessas soluções nas áreas acadêmica e pública, as corporações ainda precisam de maiores garantias para escolher soluções livres. A cultura organizacional precisa evoluir para que se aceite que software não é mais um produto fechado, mas um serviço em constante processo de aprimoramento.

Se duas cabeças pensam melhor do que uma, não é difícil imaginar o potencial de uma comunidade mundial focada em solucionar os seus problemas.

Fonte: IMasters


Carníbol - Capa

Carníbol - Capa
agosto 10th, 2009

Carníbol - Capa

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Um pouco de história antes de ler o Carníbol será necessário para entende-lo melhor.

Em 1932, saía nos jornais norte-americanos a primeira tira do personagem Alley Oop, criação de Vincent T. Hamlin, no Brasil o personagem foi renomeado como Brucutu. Alley Oop surgiu de uma expressão francesa, allez oup, mas precisamente como “Vamos lá”. Hamlin, criou o Brucutu após ter trabalhado em uma campanha publicitária da Companhia de Petróleo Texana. Sua criação fez
muito sucesso, rendendo vários outros produtos como desenho animado, brinquedos e muitas outras bugigangas, como ele costumava expressar depois alguns anos.

Na verdade, a grande criação de Hamlin, nunca foi publicada. Os motivos eram vários que
desmotivavam os sindicates a investir naquela proposta. Segundo um dos editores, em uma carta enviada para o cartunista, dizia que aquelas tiras eram o fim de carreira de Hamlin. Foi um período longo em que guardou seus rascunhos em uma velha gaveta de sua casa na Carolina do Norte. Até que, antes de sua morte,em 2001, resolveu vender os originais no e-bay. A tira polêmica, trazia fortes
protestos contra a produção de petróleo no mundo. Isso era uma forte contradição ao que Vincent T. Hamlin tanto o entusiasmou no início de sua carreira.

A nova criação, recém descoberta, tinha um nome e se chamava Cannibal, com humor mordaz e passado anos após o período pré-histórico de Brucutu, parecia ser uma visão de tudo que iria acontecer no mundo atual… Guerras e injustiça pelo ouro negro. Este personagem, que poderia ser um marco nas histórias em quadrinhos, algo comparado à Ferdinando de All Capp. Porém, Vincent T. Hamlin só não foi mais adiante pela ignorância e falta de coragem de seus editores.

Passado alguns anos, com muita pesquisa e uma pequena remodelada, Cannibal ressurge como Carníbol nas mãos de Ric Milk, que, com toda sua coragem, está colocando a cara tapa e lançando de forma independente essa singela homenagem à um cartunista incompreendido.

E a partir de hoje você poderá ler aqui no nosso blog uma história em quadrinhos inédita de Carníbol de 29 páginas criada por Ric Milk.

Fonte: 4mundo


"Boa notícia não dá Ibope. Povo gosta de pão e circo"

"Boa notícia não dá Ibope. Povo gosta de pão e circo"

"Boa notícia não dá Ibope. Povo gosta de pão e circo"

Acho que isto é próprio da natureza humana, tanto aqui como em qualquer outro lugar do mundo, onde os jornais populares, como os tablóides ingleses, sempre vendem mais do que os chamados jornais de prestígio

Ricardo Kotscho

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Será verdade o que está no título deste post? Você concorda? O tema foi levantado pelo leitor Humberto, que se identifica aqui como Eureka, em comentário enviado às 18:16 de sexta-feira, a respeito de um texto que escrevi sobre o crescimento da produção de borracha no sul da Bahia e a mudança na vida de pequenos lavradores.

Escreveu ele: "Kotscho, boa notícia não dá ibope. O povo é cruel, gosta de pão e circo, leões comendo gente, gladiadores se matando, disso o povo gosta".

Três minutos antes, às 18:13, meu velho amigo Ludenbergue Goes, do alto dos seus mais de 50 anos de carreira no jornalismo, já tinha enviado comentário na mesma linha:

"É isso aí, Ricardo, está comprovado: notícia boa não dá ibope".

O desencanto destes leitores talvez tenha sido provocado pelo fato de que passei a sexta-feira em viagem e só pude fazer a liberação dos comentários do Balaio ao chegar em casa à noite.

No mesmo dia, outros comentaristas aqui do blog fizeram críticas à imprensa por não publicar as chamadas boas notícias, que também existem, limitando-se a encher suas páginas e telejornais com coisa ruim, que não falta.

De fato, tenho notado que a quantidade de comentários enviados quando trato em minhas viagens de temas mais amenos, falando de pessoas anônimas ou lugares ainda pouco explorados, que estão fazendo alguma coisa nova e boa, costuma ficar bem abaixo da média.

Acho que isto é próprio da natureza humana, tanto aqui como em qualquer outro lugar do mundo, onde os jornais populares, como os tablóides ingleses, sempre vendem mais do que os chamados jornais de prestígio.

Aqui mesmo no iG isto também acontece. As boas notícias merecem menos destaque na capa, chamada de home na internet, do que aquelas que tratam de escândalos, celebridades e aberrações.

Basta colocar no título do post o nome de alguma celebridade global que causa polêmica, como Faustão, Bial ou Galvão, que logo vem uma chuva de comentários, um dos indicadores de audiência na blogosfera. Meter o pau em políticos e governantes ou tratar da eterna guerra entre tucanos e petistas é outra receita que não tem erro.

Sempre me recusei a trilhar por este único indicador fornecido pela audiência, mesmo quando dirigi o telejornalismo de redes de televisão e trabalhei como repórter ou editor nas principais redações do país.

Claro que ninguém sobrevive sem bilheteria e nós precisamos atender ao gosto da freguesia, mas eu me acostumei a dar murro em ponta de faca e tratar de assuntos que não estão na mídia. Caso contrário, ficaria tudo sempre muito igual, quer dizer, muito chato. Basta ver os destaques nos diferentes portais: são sempre os mesmos.

Em razão da minha viagem ao sul da Bahia e dos temas tratados, sem falar de política, esta foi uma semana bem fraquinha aqui no Balaio, bem abaixo da média, como mostram os números do levantamento que faço todos os domingos sobre os assuntos mais comentados da semana:

Balaio

Censura do Estadão: 118

Lei Antifumo/Lei de Adoção: 55

Borracha na Bahia: 45

Folha

Crise no Senado: 248

Lei Antifumo: 113

Sarney: 111

Veja

César Cielo: 46

Fim da era Sarney: 32

Augusto Chagas: 27

Fonte: Revista Brasileiro

I de idéia

I de idéia
Bem, Deleuze fala que os filósofos criam conceitos, e os artistas criam "perceptos". Percepto seria "É um conjunto de sensações e percepções que vai além daquele que a sente." Bem, vamos a "eu" agora. Qual a minha visão de artista: sensibilidade. Na verdade, a idéia que tenho de arte ela abrange vários ramos do saber. Vc pode ser um astrofísico e um artista, vc pode ser um costureiro e fazer as costuras com arte. E há aquele que faz da arte o seu ofício. Estudar arte, produzir arte. Produzir sensibilidades. Eu fico puta com a galera que saí por aí colocando suas dores de cotovelo no papel e se dizendo artista. Arte envolve estudo. Colocar dores de cotovelo no papel pode vir a ser uma coisa excelente, mas depende de muitos outros fatores. Mas enfim, não quero falar dessas coisas que me deixam mal-humorada. Vou falar duma coisa simples, chamada sensibilidade. Nos últimos tempos, minha mente tem se repetido nesta idéia, de que arte é, além de outras coisas, sensibilidade. Criar sensibilidades e percepções, é fazer a gente perceber as coisas, verdadeiramente. Não sei como descrever isso direito, mas tem a ver com como viver a vida, tem a ver em experimentar a vida, em viajar nas coisas, seja nos sons, nas cores e luzes, na forma das rachaduras das calçadas, no barulho das ondas, nas histórias que as manchas das paredes contam. E ser atravessado por isso, pelo erotismo que as flores evocam. Na real é mais complicado que isso. É como chegar na praia. Vc pode achar bonito e ir embora ou pode se maravilhar com o cheiro do mar, o barulho das ondas, a dor da areia quente, etc, etc.

"Porque perceptos não são percepções. O que é que busca um homem de Letras, um escritor ou um romancista? Acho que ele quer poder construir conjuntos de percepções e sensações que vão além daqueles que as sentem. O percepto é isso. É um conjunto de sensações e percepções que vai além daquele que a sente. Vou dar alguns exemplos. Há páginas de Tolstoi que descrevem o que um pintor mal saberia descrever. Ou páginas de Tchekov que, de outra maneira, descrevem o calor da estepe. Há um grande complexo de sensações, pois há sensações visuais, auditivas e quase gustativas. Alguma coisa entra na boca. Eles tentam dar a este complexo de sensações uma independência radical em relação àquele que as sentiu. Tolstoi também descreve atmosferas. As grandes páginas de Faulkner! Os grandes romancistas conseguem chegar a isso. Há um grande romancista americano que quase disse isso. Ele não é muito conhecido na França, e gosto muito dele. É Thomas Wolfe. Ele descreve o seguinte: "Alguém sai de manhã, sente o ar fresco, o cheiro de alguma coisa, de pão torrado, etc., um passarinho passa voando... Há um complexo de sensações. O que acontece quando morre aquele que sentiu tudo isso? Ou quando ele faz outra coisa? O que acontece?"

Isso me parece a questão da arte. A arte dá uma resposta para isso: dar uma duração ou uma eternidade a este complexo de sensações que não é mais visto como sentido por alguém ou que será sentido por um personagem de romance, ou seja, um personagem fictício. É isso que vai gerar a ficção. E o que faz um pintor? Ele faz apenas isso também, ele dá consistência a perceptos. Ele tira perceptos das percepções. Há uma frase de Cézanne que me toca muito. Um pintor não faz outra coisa. Há uma frase que muito me impressiona.

Pode-se dizer que os impressionistas distorcem a percepção. Um conceito filosófico ao pé da letra é de rachar a cabeça, porque é o hábito de pensar que é novo. As pessoas não estão acostumadas a pensar assim. É de rachar a cabeça! De certa forma, um percepto torce os nervos e podemos dizer que os impressionistas inventaram perceptos. Mas Cézanne disse uma frase que acho muito bonita: "É preciso tornar o impressionismo durável". Quer dizer que o motivo ainda não adquiriu independência. Trata-se de torná-lo durável e, para isso, são necessários novos métodos. Ele não quis dizer que se deve conservar o quadro, e sim que o percepto adquire uma autonomia ainda maior. Para tal, precisará de uma nova técnica. E há um terceiro tipo de coisa e muito ligada às outras duas. É o que se deve chamar de afectos. Não há perceptos sem afectos. Tentei definir o percepto como um conjunto de percepções e sensações que se tornaram independentes de quem o sente. Para mim, os afectos são os devires. São devires que transbordam daquele que passa por eles, que excedem as forças daquele que passa por eles. O afecto é isso. Será que a música não seria a grande criadora de afectos? Será que ela não nos arrasta para potências acima de nossa compreensão? É possível."
Deleuze

H de História da Filosofia

H de História da Filosofia
Conceitos. Deleuze fala que o papel da filosofia é criar conceitos. E que muitas áreas do saber se apropriam dos conceitos criados na filosofia. De fato, a algum tempo tenho reparado nisso. Mas sempre reparei de uma perspectiva otimista. Por exemplo, no desing, sempre notei que eles utilizavam muitas das teorias de linguagem que nós, pessoas das letras, costumamos estudar e já estamos carecas de saber. Mas devido a minha vibe de que as idéias não são propriedade de ninguém, etc, nunca me importei de ver isso acontecer. Na verdade até ficava feliz de ver que essas idéias eram utilizadas por alguém. Pois de fato, elas são bem úteis. Também costumo ouvir que filosofia é um treco inútil, feito por pessoas que já têm algum outro curso e serve apenas para auto-descobrimento, etc. Isso sempre me deixou furiosa pois considero a filosofia a base de tudo. Por exemplo, a política de hoje possui uma base kantiana, hegeliana. Filosófica. A epistomologia da ciência vem d'onde? Da filosofia, oras. É uma troca de conhecimento e experiências, investir em conceito é investir em maior qualidade de conhecimento, em um mundo melhor para todos. Sempre fiquei triste em ver como a filosofia, que é a base de tudo, sempre foi relegada às traças. Nem vou falar de arte, pra não me estressar.

"GD: Aconteceu o seguinte: provavelmente a história da filosofia tinha me ensinado coisas, ou seja, me sentia mais capaz de abordar o que é a cor em filosofia. Mas por que isso se coloca? Por que a filosofia não pára? Por que não pára, por que há ainda filosofia hoje? Porque sempre há lugar para criar conceitos. É a publicidade que se apodera dessa noção de conceito. Ela cria conceitos, com os computadores. Há toda uma linguagem que foi roubada da filosofia.

CP: A comunicação.

GD: A comunicação. Deve-se ser criativo, criar conceitos. Mas o que chamam "conceito", "criar" é tão cômico, que não há como insistir. Continua a ser tarefa da filosofia. Nunca me senti tocado por pessoas que dizem: "a morte da filosofia", "ultrapassar a filosofia", são filósofos que dizem coisas tão complicadas. Isso nunca me disse respeito porque me pergunto: "O que isso quer dizer?" Enquanto houver necessidade de criar conceitos, haverá filosofia, é esta sua definição. Os conceitos não estão prontos, é preciso criá-los. E os criamos em função de problemas. Os problemas evoluem. Pode-se, é claro, ser platônico, ser leibniziano, ainda hoje, em 1989, pode-se tudo isso, pode-se ser kantiano. O que significa isto? Quer dizer que se estima que alguns problemas, não todos, colocados por Platão continuam válidos, com certas transformações, então se é platônico, e se utilizam conceitos platônicos. Ainda que hoje se coloquem problemas de outra natureza, não há caso em que não haja um ou vários grandes filósofos que tenham algo a nos dizer sobre os problemas transformados de hoje. Mas fazer filosofia é criar novos conceitos em função dos problemas que se colocam hoje. O último aspecto dessa longa questão seria, é evidente: bem, mas o que é a evolução dos problemas? O que a assegura? Posso sempre dizer: forças históricas, sociais. Sim, claro, mas há algo mais profundo. É misterioso. E não teríamos tempo, mas creio em uma espécie de devir do pensamento, de evolução do pensamento que faz com que não apenas não coloquemos os mesmos problemas, mas com que não os coloquemos do mesmo modo. Um problema pode ser colocado de vários modos sucessivos, e há um apelo urgente, como uma grande corrente de ar, que faz apelo à necessidade de sempre criar, recriar novos conceitos. Há uma história do pensamento que não se reduz à influência sociológica ou... Há um devir do pensamento, que é algo misterioso, que seria preciso definir, que faz com que, talvez, não se pense hoje da mesma maneira que há cem anos. Processos de pensamento, elipses de pensamento, o pensamento tem sua história. Há uma história do pensamento puro. Fazer filosofia, para mim, é exatamente isso. A filosofia só teve, sempre, uma função. Ela não precisa ser ultrapassada, pois tem sua função. Queria dizer alguma coisa?"

Então galera, vamos começar a dar valor à produção de conhecimento, conceitos e culturas. Não se percebe o quanto isso é importante, por ser invisível. Mas está aqui, neste instante, acredite. Toda a sua vida é transpassada por essas coisas "mal-vistas", tida por inúteis e estudadas por pessoas, que como eu, têm amor a essas coisas e as considera muito importantes. Importantes ou não, sempre têm aqueles que se apropriam de conceitos e idéias, pervertem e utilizam em proveito próprio.