Maldade


Hoje vou falar sobre maldade. De uns tempos pra cá tenho refletido sobre isso, sobre a maldade, principalmente a das pessoas. A maldade existe? Nunca acreditei na maldade, na realidade não curto posturas dicotômicas, e nem pretendo criar alguma dicotomia. Apenas sempre pensei que maldade, papai noel e coelhinho da páscoa são coisas que não existem, palavras vazias para esconder alguma complexidade. Entretanto um fato, aliás palavras soltas ditas por minha irmã, me fizeram parar para pensar nisso. Nós estávamos discutindo sobre uma certa pessoa, que fez coisas horríveis e inexplicáveis. Por fim, acabei falando "Ah, essa pessoa deve ter enlouquecido, não tem outra explicação." Então minha irmã falou uma frase tão simples, que pôs em dúvida uma coisa que estava cristalizada em minha mente:

_Kelly, a pessoa não enlouqueceu. Ela é má. Você não acredita em maldade, mas a maldade existe.

Comecei a pensar nisso, talvez ela tivesse razão, talvez a maldade fosse algo real, assim como o amor é, como o sonho é, como o erotismo é. A maldade pura.

Mas o que faz as pessoas serem más? Sempre penso que as pessoas são más porque o mundo é cruel e isso nos leva a tomar atitudes levianas, em prol da sobrevivência nossa e de nossa prole. Mas quando não há necessidade de se ser mal? Porque mesmo assim as pessoas continuam praticando maldade? Então essa pergunta poderia ser respondidade de várias maneiras, poderia ser o aparelho ideológico que faz com que a atitude dentro do grupo (ou sociedade) enraizada seja a postura e as atitudes malvadas que ela tem. Ou pode ser que, de tão cristalizada é a postura de prejudicar os outros, que a pessoa permanece nessa postura, como um toc, uma mania, um ato inconsciente e repetitivo. Pode ser por ignorância também, a tal da alienação, que em uma sociedade tão individualista como a nossa, esquecer que vivemos em uma coletividade e o bem estar do outro é nosso bem estar também é uma coisa comum. Pode ser por infelicidade e insatisfação, que faz com que queiramos que hajam pessoas mais infelizes que nós no mundo para nos sentirmos menos infelizes. Pode ser uma reprodução das maldades feitas conosco, o que é bem comum. Um pedófilo muitas vezes torna-se o que é porque foi abusado na infância. Pode ser por prazer. Pode ser uma questão de ponto de vista.

Mas isso são explicações. O que eu gostaria de saber é se essa coisa chamada "maldade" existe pura e simplesmente. Eu admito a violência. Acredito que ela seja parte de nós e do mundo, nos é inerente. Ela pode fazer parte de um equilíbrio ou pode acabar se desencaminhando e fazendo coisas grotescas. Para mim, violência é estar vivo. Nosso corpo é violento, as plantas são violentas, o vento, o tubarão, etc, tudo possui sua violência inerente. E a maldade, que me parece ser uma coisa tão fora de qualquer lógica, sem nenhuma função, pode ser algo inerente e com existência?

Tem um filme que trata exemplarmente sobre isso, que é o "Anticristo"do diretor polonês Lars Von Trier. Esse filme não é de terror, não é de suspense, não é religioso, ideológico, ou de violência... Ele é um filme sobre a maldade, a existência da maldade no mundo. Não cheguei a assistí-lo, porém li várias críticas interessantes sobre ele, e algumas pessoas me falaram sobre ele. É um filme duma profundeza tremenda. Vou assistí-lo, quem sabe eu encontre ali o que preciso encontrar. Deixo essa pergunta para vocês: A maldade existe?

O gênero "Homem"


Esse é um assunto que veio a baila ontem, conversando com algumas pessoas. Mas é algo que venho refletindo há anos. Onde está o gênero homem? Há alguns anos estava conversando com umas amigas, e estava apenas me questionando sobre o homem, este ser que é o oposto do meu sexo. Estava reclamando com elas que achava que sentia falta de homens de verdade, mas não no sentido tosco e usual que essas palavras costumam ser repetidas, mas tipo, é algo da essência masculina, mas não consegui encontrar palavras pra dizer isso pras meninas. Pois muitos se fazem de macho. Eu também sei me fazer de muita coisa pois o teatro é uma ferramenta muito usada no cotidiano. Era algo mais ligado a essência masculina mesmo (q meus professores nunca leiam isso). Elas não entenderam bem o que eu queria dizer, e vieram com os papos que o mundo é machista e patriarcal, é só olhar ao redor, de ver como o mundo é construído etc.

Então, a mulher que eu jamais imaginaria que me entenderia, me entendeu. Ela falou assim:

"A Kelly não está querendo dizer isso, ela está querendo dizer onde está aquela essência masculina nos homens, não a construção cultural que temos deles etc."

Queria me recordar com exatidão das palavras da minha amiga, pois ela disse exatamente o meu sentimento. Nunca mais deixei de pensar nisso, até cheguei a algumas conclusões muito interessantes que não escreverei aqui para que o post não fique muito longo.

Ontem, estavamos refletindo sobre algumas questões de atitudes, de várias pessoas que conheciámos e começamos a perguntar para os meninos o que desperta o interesse no homem. O engraçado é que, apesar de termos avisado que não era sobre mulher, não queriámos saber como uma mulher desperta o desejo em um homem (isso a gente já sabe de cor :D ), foi a primeira resposta: porque os homens e as mulheres, pipipi. Nós tinhámos uma curiosidade sobre os anseios masculinos, sobre a vida. Obtivemos várias respostas interessantes: poder, segurança, etc.

No fim chegamos a conclusão que o grande problema é que o "homem" está esquecido e jogado. Quando se fala de homem, se fala: não prestam são uma porcaria. Aí acaba a discussão. Nunca, mas nunca, se falou realmente o que é o homem. O mundo pode ser patriarcal "falocentrico, etc." e eu concordo totalmente com isso, mas a discussão que queremos propor é estudar esse ser masculino, esse tal do homem, que ora se faz de macho ora (muitas vezes aliás) é uma criancinha.

Antes de terminar este post eu tenho que dar uma falada sobre a questão do gênero (que os feministas nunca leiam isso pq senão vou apanhar). Detesto simplificar coisas altamente complexas, mas já que eu me propus a isso, vamos lá:

Bem, gênero, nos estudos atuais, não significa estudar o sexo, mas as características, pincipalmente as construções culturais de cada gênero. E qdo falamos em dias atuais, o gênero não se restringe apenas ao homem ou a mulher, mas também ao gay, a lésbica, ao travesti, ao pan, ao bi, etc.
Particularmente, acho interessantíssimos esses estudos, apesar de que o que vejo que está acontecendo no mundo "sexual, amoroso, etc" é uma certa "degeneração", ou, se meia palavra não basta, é des+generação. As pessoas podem ser heteros, mas de vez em qdo ficam com pessoas do mesmo sexo e acham bom, ou vice-versa, ou enfim, tem tanta coisa diferente. Mulheres que transam com homens por diversão e com mulheres por amor. Pessoas que transam em orgias diferentes, pessoas que não transam, enfim, tem tanta coisa que acho que a tipologia proposta pelos estudos de gênero não dá conta. Mas no fim é sempre assim...

Bom, então fica aqui a minha proposta. Vamos estudar essa coisa chamada genêro "Homem", mas estudar mesmo, não glorificar, ou chamar de coitadinhos, ou odiar , ou sei lá o quê. Estudar a sério porra.

Eu já tenho feito a minha parte pra estudar essas pragas ;)

Rondó de você


Se apaixonar é muito bom. Quantas vezes eu me apaixono e digo depois: Não, nunca mais isso acontecerá. Acho que todos dizem, nunca mais vou me apaixonar, nunca mais vou beber, promessas etc. Que bom que essas promessas são falsas. O que leva uma pessoa a se apaixonar pela outra? Se eu soubesse essa resposta, eu nunca mais me apaixonaria. Aí vai um poeminha do Mario, que em sua sutileza nada sutil, e seu sarcasmo gracioso diz muito:






Rondó pra você

De você, Rosa, eu não queria
Receber somente esse abraço
Tão devagar que você me dá,
Nem gozar somente esse beijo
Tão molhado que você me dá...
Eu não queria só porque
Por tudo quanto você me fala,
Já reparei que no teu peito
Soluça o coração bem feito
De você

Pois então eu imaginei
Que junto com esse corpo magro,
Moreninho que você me dá,
Com a boniteza e faceirice
A risada que você me dá
E me enrabicham como o quê,
Bem que eu podia possuir também
O que mora atrás do seu rosto, Rosa,
O pensamento, a alma, o desgosto,
De você.

Mário de Andrade
(1893-1945)

Fonte: Poemblog