
Se apaixonar é muito bom. Quantas vezes eu me apaixono e digo depois: Não, nunca mais isso acontecerá. Acho que todos dizem, nunca mais vou me apaixonar, nunca mais vou beber, promessas etc. Que bom que essas promessas são falsas. O que leva uma pessoa a se apaixonar pela outra? Se eu soubesse essa resposta, eu nunca mais me apaixonaria. Aí vai um poeminha do Mario, que em sua sutileza nada sutil, e seu sarcasmo gracioso diz muito:
Rondó pra você
De você, Rosa, eu não queria
Receber somente esse abraço
Tão devagar que você me dá,
Nem gozar somente esse beijo
Tão molhado que você me dá...
Eu não queria só porque
Por tudo quanto você me fala,
Já reparei que no teu peito
Soluça o coração bem feito
De você
Pois então eu imaginei
Que junto com esse corpo magro,
Moreninho que você me dá,
Com a boniteza e faceirice
A risada que você me dá
E me enrabicham como o quê,
Bem que eu podia possuir também
O que mora atrás do seu rosto, Rosa,
O pensamento, a alma, o desgosto,
De você.
Mário de Andrade
(1893-1945)
Fonte: Poemblog
1 comentários:
É essa uma fixação poética afinal?
"o pensamento, a alma, o desgosto?"
Pra fingir que não somos loucos sós, tentamos ser loucos à dois? a dez?
Isso dá um problemão pra pensar!
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