Canalha

A vida me ensinou que a melhor maneira de se lidar com um homem canalha é ser mais canalha que ele. Por isso sou assim, digamos, impiedosa. Amo a todos com quem estive de coração. Adoro demonstrações de amor e educação. E amo aquele que verdadeiramente ama. Mas não tenho pena. Eu sei que o que importa de verdade na vida é o momento consumido. Aquele que some na retina. Aquela lembrança que estremece. Mas odeio coisas comuns, lugares comuns, rotinas. Não pretendo falar mal dos homens nem das mulheres, pretendo apenas falar dos momentos.
Não desacredito no amor. Sofri e sofrerei, e farei sofrer. Não há lições a se aprender. Não há passo-a-passo. Não adianta, aquela pessoa que está dormindo ao seu lado, a mais de 30 anos não morrerá com você. Ela morrerá a sua própria morte, e você morrerá a sua.
Acredito mesmo no amor. Em todos os amores do mundo. E se algum dia tiver um só, o terei. Mas por enquanto, quero ir e voltar e ficar assim, livre sabe. Não sei explicar, não há conquista, não há maldade. Um verdadeiro canalha joga um jogo de perder, não um jogo de ganhar. Ele se perde em cada um com quem cruza. E vê seus pedaços espalhados por aí.
E você moça casadoura, senhora singela, rapaz direito. Você também é canalha. Sabes por acaso me dizer o que aconteceu com aquele estranho ou estranha que sentou a seu lado no ônibus? Não neh. Nem ele sabe o que aconteceu com você. Sentimento mútuo. Mas ele ou ela esteve ao seu lado, compartilhando seu gás carbônico, sua energia, sua molécula. Sentindo seus cheiros ocultos e hormonais, suas cores. Isso não é o amor. É apenas o cotidiano calado e vivo.
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Kelly Kill

ntumbuluku é Segunddo Houaiss: n substantivo masculino Regionalismo: Moçambique (Sul). a origem da Natureza e da Humanidade Eu sou a Kelly Zeferino

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