10 motivos para ler (ou ver) Hamlet

Desnecessário dizer que, para se ler uma obra literária, basta estar-se gostando do andamento das páginas.

Porém, para algumas – de tão boas e no caso de ainda não se estar com o livro nas mãos – cabe o incentivo de quem já o leu e por ele tem alguma preferência aos que ainda não tiveram tal privilégio.

É o caso de Hamlet, de William Shakespeare.

Seria suficiente dizer que Hamlet pode ser uma das melhores experiências literárias de sua vida: há nela aventura, sexo, duelos de espada, intriga, sabedoria, humanidade, arte, filosofia, beleza, loucura, poesia e, claro, um final sangrento.

No entanto, vamos a eles de uma vez. Os motivos:

  1. Hamlet provavelmente é o personagem mais legal de toda a literatura. Ele é sábio e, contraditoriamente, vítima de suas próprias paixões. Jovem, atormentado e triste – com o que um adolescente se identificaria -, mas também ponderado, sagaz e consciente de suas responsabilidades – como uma pessoa mais madura preferiria.
  2. Hamlet expressa o humano. Sendo tão contraditório e sólido ao mesmo tempo, ele não é nada mais nada menos do que um dos personagens que melhor expõe as forças que trabalham em sentidos opostos em cada um de nós, no que elas têm de maior e no que eles têm de mais miúdo. Ele não é um herói bom, nem um herói mau. É apenas um herói, como você ou eu.
  3. Trata-se de literatura de detetive. Embora conduzido pela névoa das emoções e por métodos que tornam Bentinho, de Dom Casmurro, uma pessoa completamente lúcida, Hamlet tenta descobrir o assassino de seu pai.
  4. Não há uma página sequer em que não haja uma passagem de arrepiar ou algum dito espirituoso, como este em um diálogo entre Hamlet e seu tio, na cena 3 do quarto ato: “Hamlet: Pode-se pescar com um verme que tenha comido de um rei e comer o peixe que se alimentou desse verme. O rei: Que queres dizer com isso?Hamlet: Nada. Apenas mostrar-vos como um rei pode fazer um passeio pelos intestinos de um mendigo.”
  5. Um clássico é, no mínimo, um bom conselheiro. O exemplo que primeiro me ocorre são as dicas dadas por Polônio a seu filho, Laerte, quando este parte em viagem.
  6. É uma obra sobre amizade. O que dizer da fidelidade mútua que há entre Horácio e Hamlet?
  7. Há tensão sexual e emocional. O que afirmar sobre as mulheres da peça com as quais Hamlet se relaciona: a mãe e Ofélia? Freud que nos explique.
  8. A peça mostra como o artista lida com os acontecimentos de sua vida. É possível que a peça tenha sido escrita sob a influência da perda de um filho de Shakespeare, chamado Hamnet.
  9. O monólogo. O famoso “ser ou não ser”. Ele pode ser encarado como a escolha entre a vida, e a certeza dos sofrimentos, e o suicídio, e a incerteza do que virá depois desse ato, de um modo mais simplista. Mas também pode ser entendido como a escolha entre as formas de existência mais cruas e responsáveis e as mais escapistas. A escolha entre a pílula vermelha e a azul, em Matrix.
  10. Hamlet não perde sua atualidade: por tratar de temas que nunca sairão da pauta dos tormentos humanos.

Vou ficar devendo por ora minha teoria que prova que todo o enredo não passou de uma armação do fiel amigo de Hamlet, Horácio, a fim de entregar a Dinamarca de mão beijada ao conquistador Fortimbrás.

Prefiro contar a história – verdadeira – de um estudante que tentava uma vaga na Faculdade de Artes do Paraná (FAP).

O texto escolhido para a prova prática: o monólogo.

- Ser ou não ser…

Silêncio. A banca tensa. Mais silêncio. Uma gotinha de suor escorreu pela têmpora do candidato.

- Xi… esqueci.

No caso, ele perdeu a questão.

E o resto é silêncio.

Fonte: Livros e afins

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Kelly Kill

ntumbuluku é Segunddo Houaiss: n substantivo masculino Regionalismo: Moçambique (Sul). a origem da Natureza e da Humanidade Eu sou a Kelly Zeferino

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