Discurso

Ae galera, o post sobre discurso. Bem, acho que o correto seria dar um geralzão sobre o que é discurso, qual a diferença entre texto e discurso, etc, mas não to a fim. Então vou falar sobre discurso, mas especificamente um trecho que li. Vou disponibilizá-lo no fim do post, lê quem quer e também vou botar o link para o trecho introdutório a análise do discurso, do qual me inspirei para escrever.

Discurso. Bem, o discurso é maneira direcionada, organizada que as pessoas se utilizam da linguagem. Linguagem é caos e infinito. Tudo é possível dentro da linguagem e ela é incontrolável. Anárquica por essência. O discurso é essa linguagem manipulada, que pode ter um fim determinado, pode ser utilizada para aquisição e disputa de poder. Um bom exemplo disso seria um julgamento (estilo filme americano) em que há o defensor e o acusador. O que se sobressaí é o discurso vencedor. O melhor articulado. A gente sempre acaba cedendo diante da boa argumentação. É mais ou menos isso que é o discurso para Foucault, na verdade envolve bem mais coisas, mas não to com vontade de discutir isso agora.

O que costumeiramente se entende por comunicação. Você tem uma mensagem, uma informação, que tem que ser passada para alguém. Algo tipo “beijo, me liga”. O que vc quer que a pessoa entenda (o receptor), é que vc está mandando um beijo para ela e quer que ela te ligue. Se ela entende isso então a comunicação foi perfeita. Mas essa comunicação perfeita não existe. Isso mesmo, pasmem, ela não existe. Vcs devem estar pensando, então a Kelly quer dizer que nós nunca somos entendidos pelo outro. Isso mesmo! Assim como também não entendemos o outro. Porque no meio dessa comunicação há inúmeros fatores, como contexto, sociedade, cultura, conhecimento, sentimentos, momento histórico, atenção, etc, muitas coisas que atravessam a pessoa e fazem com que ela ouça os ruídos, leia as letrinhas, decodifique o código e abstraia a informação. Quando a informação chega na mente do “outro”, ele vai na memória, no sentimento, no conhecimento, entre milhares de outras coisas que o constituí e recria essa mensagem dentro dele. É assim, toscamente explicado, que funciona a linguagem.

Você deve estar se perguntando como nós conseguimos nos comunicar? Esse é um dos paradoxos da linguagem. Vc na verdade nunca se comunica perfeitamente, mas mesmo assim, funciona. A linguagem, a fala, é uma coisa tremendamente pessoal e ao mesmo tempo coletiva. Afinal, nós aprendemos uma língua, ela existia antes de nascermos, e a modificamos. A ajustamos. Mas isso é assunto para outro post. Confesso que este paradoxo é uma das coisas mais bonitas nos estudos de linguagem que conheço. Bem e dá para estudá-lo, por incrível que pareça, ele funciona e nós conseguimos conversar. Mas não é simplesmente conversar, é criar sentidos e modificá-los. E ser modificado por eles. Se eu for tua chefa e dizer vai ali, tu vai. Vc é acionado por isso. Se eu faço uma propaganda que te convence, vc compra o produto. Ou não, vc pode discordar, criar uma argumentação e talvez me modificar. Essas coisas todas são as que constroem o nosso conhecimento e a nossa experiência de vida.

Se eu estiver me despedindo de alguém que é muito apaixonado por mim, e eu disser “beijo me liga” como um cumprimento qualquer, essa pessoa pode interpretar de fato que eu quero que ela me ligue. E se vencer sua timidez, etc, ela vai me ligar. E dependendo da sua argumentação, do seu discurso, da maneira como vai manipular a linguagem pra me convencer, é capaz de conseguir ou tomar um fora. É outro exemplo bem tosco, mas funciona mais ou menos assim. E sempre é assim.

Logicamente há convenções sociais de linguagem, etc, mas isso é também assunto para outro tópico. Queria só falar um pouquinho de discurso.

Aqui ta o link que eu falei no começo desse post, com um texto introdutório à análise do discurso:

http://www.eca.usp.br/jorlingrad/discurso%20orlandi.pdf

O trecho sobre o qual discorri é o chamado “discurso”.
Então, era isso. Tosco pra caralho, (tomará que meus professores nunca leiam), mas era isso. Beijos e me liga ;)
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Kelly Kill

ntumbuluku é Segunddo Houaiss: n substantivo masculino Regionalismo: Moçambique (Sul). a origem da Natureza e da Humanidade Eu sou a Kelly Zeferino

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