H de História da Filosofia

Conceitos. Deleuze fala que o papel da filosofia é criar conceitos. E que muitas áreas do saber se apropriam dos conceitos criados na filosofia. De fato, a algum tempo tenho reparado nisso. Mas sempre reparei de uma perspectiva otimista. Por exemplo, no desing, sempre notei que eles utilizavam muitas das teorias de linguagem que nós, pessoas das letras, costumamos estudar e já estamos carecas de saber. Mas devido a minha vibe de que as idéias não são propriedade de ninguém, etc, nunca me importei de ver isso acontecer. Na verdade até ficava feliz de ver que essas idéias eram utilizadas por alguém. Pois de fato, elas são bem úteis. Também costumo ouvir que filosofia é um treco inútil, feito por pessoas que já têm algum outro curso e serve apenas para auto-descobrimento, etc. Isso sempre me deixou furiosa pois considero a filosofia a base de tudo. Por exemplo, a política de hoje possui uma base kantiana, hegeliana. Filosófica. A epistomologia da ciência vem d'onde? Da filosofia, oras. É uma troca de conhecimento e experiências, investir em conceito é investir em maior qualidade de conhecimento, em um mundo melhor para todos. Sempre fiquei triste em ver como a filosofia, que é a base de tudo, sempre foi relegada às traças. Nem vou falar de arte, pra não me estressar.

"GD: Aconteceu o seguinte: provavelmente a história da filosofia tinha me ensinado coisas, ou seja, me sentia mais capaz de abordar o que é a cor em filosofia. Mas por que isso se coloca? Por que a filosofia não pára? Por que não pára, por que há ainda filosofia hoje? Porque sempre há lugar para criar conceitos. É a publicidade que se apodera dessa noção de conceito. Ela cria conceitos, com os computadores. Há toda uma linguagem que foi roubada da filosofia.

CP: A comunicação.

GD: A comunicação. Deve-se ser criativo, criar conceitos. Mas o que chamam "conceito", "criar" é tão cômico, que não há como insistir. Continua a ser tarefa da filosofia. Nunca me senti tocado por pessoas que dizem: "a morte da filosofia", "ultrapassar a filosofia", são filósofos que dizem coisas tão complicadas. Isso nunca me disse respeito porque me pergunto: "O que isso quer dizer?" Enquanto houver necessidade de criar conceitos, haverá filosofia, é esta sua definição. Os conceitos não estão prontos, é preciso criá-los. E os criamos em função de problemas. Os problemas evoluem. Pode-se, é claro, ser platônico, ser leibniziano, ainda hoje, em 1989, pode-se tudo isso, pode-se ser kantiano. O que significa isto? Quer dizer que se estima que alguns problemas, não todos, colocados por Platão continuam válidos, com certas transformações, então se é platônico, e se utilizam conceitos platônicos. Ainda que hoje se coloquem problemas de outra natureza, não há caso em que não haja um ou vários grandes filósofos que tenham algo a nos dizer sobre os problemas transformados de hoje. Mas fazer filosofia é criar novos conceitos em função dos problemas que se colocam hoje. O último aspecto dessa longa questão seria, é evidente: bem, mas o que é a evolução dos problemas? O que a assegura? Posso sempre dizer: forças históricas, sociais. Sim, claro, mas há algo mais profundo. É misterioso. E não teríamos tempo, mas creio em uma espécie de devir do pensamento, de evolução do pensamento que faz com que não apenas não coloquemos os mesmos problemas, mas com que não os coloquemos do mesmo modo. Um problema pode ser colocado de vários modos sucessivos, e há um apelo urgente, como uma grande corrente de ar, que faz apelo à necessidade de sempre criar, recriar novos conceitos. Há uma história do pensamento que não se reduz à influência sociológica ou... Há um devir do pensamento, que é algo misterioso, que seria preciso definir, que faz com que, talvez, não se pense hoje da mesma maneira que há cem anos. Processos de pensamento, elipses de pensamento, o pensamento tem sua história. Há uma história do pensamento puro. Fazer filosofia, para mim, é exatamente isso. A filosofia só teve, sempre, uma função. Ela não precisa ser ultrapassada, pois tem sua função. Queria dizer alguma coisa?"

Então galera, vamos começar a dar valor à produção de conhecimento, conceitos e culturas. Não se percebe o quanto isso é importante, por ser invisível. Mas está aqui, neste instante, acredite. Toda a sua vida é transpassada por essas coisas "mal-vistas", tida por inúteis e estudadas por pessoas, que como eu, têm amor a essas coisas e as considera muito importantes. Importantes ou não, sempre têm aqueles que se apropriam de conceitos e idéias, pervertem e utilizam em proveito próprio.


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Kelly Kill

ntumbuluku é Segunddo Houaiss: n substantivo masculino Regionalismo: Moçambique (Sul). a origem da Natureza e da Humanidade Eu sou a Kelly Zeferino

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